A retomada do topo – Copa do Mundo de Futsal 2008

(Reprodução: UOL/Torcedores)

 

Há quatro anos, em 2004, a Seleção Brasileira vivia uma de suas maiores decepções na história do futsal brasileiro. Não que não tenha sido bom o resultado, mas poderia ter sido muito melhor com a conquista do título mundial. Com grandes jogadores em alta, tais como Marquinho, Schumacher, Fininho – mesmo que quase no fim de carreira – e Falcão pedindo passagem para se tornar um dos melhores do mundo, aquela derrota para a Espanha na semifinal ficou com um gosto amargo que viria a ser tirado quatro anos depois.

No ano de 2008 alguns jogadores presentes naquele mundial já não mais estavam compondo o grupo da seleção que disputaria o Mundial no Brasil – privilégio para poucos jogadores de futsal. Ciço, Wilde, Lenísio e Vinicius eram alguns dos nomes que haviam surgido em anos anteriores no futsal nacional e que vestiriam a amarelinha para tentar reconquistar o título da Copa do Mundo. Seria o ano da redenção para aqueles jogadores!

Na primeira fase foram quatro jogos com quatro vitórias – todas por goleada. Japão, Ilhas Salomão, Rússia e Cuba vieram apenas para serem atropelados pelo Brasil e se encantarem com o talento dos nossos jogadores. Daquele Grupo A passaram o Brasil, com 100% de aproveitamento e um saldo incrível de 48 gols marcados, e a Rússia, com 9 pontos ganhos.

Aquele mundial era composto por 24 seleções, sendo um pouco diferenciado do modelo atual da FIFA, que ao invés de seis, eram quatro grupos com 6 seleções cada, passando as oito melhores (duas por grupo) para uma segunda fase com as oito seleções divididas em dois grupos.

A partir de então as coisas começaram a se complicar para a nossa Seleção. Logo de cara enfrentamos o Irã na primeira rodada – e foi sofrido, sendo o adversário mais difícil até então. Derrotamos com o placar mínimo de 1 a 0. Na segunda e terceira partidas enfrentamos e vencemos a Itália (3×0) e a Ucrânia (5×3). Classificação novamente em primeiro lugar e vaga garantida nas semifinais. O adversário seria novamente a Rússia, adversário que a nossa Seleção havia goleado por 7 a 0 na primeira fase. Mas era um novo jogo e, consequentemente, mais difícil. Vencemos por 4 a 2, enquanto que na outra semifinal a Espanha acabou vencendo a Itália, marcando o reencontro entre as seleções para a final daquele mundial.

Como era sabido de início, a partida não seria fácil, ainda mais pela derrota marcada há quatro anos que faria com que aquele jogo tivesse uma adrenalina maior. O primeiro gol da partida só saiu na segunda etapa, após cobrança direta de escanteio, feita por Marquinho, abrindo o placar para o Brasil. Torras, três minutos depois, empatou para os espanhóis. Faltando três minutos e quarenta, após bate-rebate na área, a bola sobra para Vinicius, capitão do time, que faz 2×1 no marcador, e com lágrimas comemora o gol. Faltava um minuto apenas. Após colocar o goleiro-linha, a Espanha trocava passes na intermediária brasileira; após um cruzamento rasteiro, vindo da esquerda, Fernandão afastou mal e a bola sobrou para Álvaro, que empatou novamente a partida em 2×2. Iríamos para os pênaltis novamente, após a frustração de quatro anos atrás!

Marquinho, Wilde e Ciço converteram as primeiras três cobranças para o Brasil; Kike e Ortíz marcaram para a Espanha. Na terceira penalidade espanhola, Torras cobrou, mas à frente dele havia uma muralha chamada Franklin! O goleiro brasileiro fez uma brilhante defesa, à meia altura, no seu canto esquerdo, dando vantagem à nossa seleção. Na quarta cobrança, Lenísio e Álvaro converteram para ambas as seleções; Na última, Ari acabou desperdiçando, mas, no quinto e decisivo pênalti espanhol, cobrado por Marcelo, lá estava Franklin novamente para defender a cobrança! O Brasil se tornava hexacampeão mundial de futsal.

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago à tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada esporte.

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