Backcourt NBA – A continuidade posta a prova

Numa das off-seasons mais movimentadas da história da NBA, a atuação do San Antonio Spurs no mercado surpreendeu e ao mesmo tempo que não causou estranheza. Sim, a frase foi paradoxal propositalmente. Se pensarmos na quantidade de jogadores de alto nível que mudaram de equipes, é estranho notar que uma equipe do nível dos Spurs não tenha feito algum movimento para contratar alguma delas. Mas, se olharmos para o histórico da equipe de Gregg Popovich, técnico a mais de 20 anos na franquia, não dá para estranhar.

Leia Também –> The end of the process?

Manu Ginobili deve ter sua temporada final na NBA

Sob o comando de um dos maiores treinadores da história, os Spurs sempre fizeram suas reestruturações de elenco paulatinamente. Não é do perfil da equipe de San Antonio fazer como fez o Boston Celtics nessa temporada. Se compararmos as duas equipes que chegaram no mesmo lugar na temporada passada (Tanto Celtics quanto Spurs caíram na final de conferência), podemos ver movimentos bem diferentes das duas franquias. Enquanto os Celtas foram bem atuantes no mercado e praticamente formaram um time novo (e muito bom, diga-se), Gregg Popovich preferiu confiar na continuidade de seu elenco. A maior contratação dos Spurs foi para o banco de reservas: o ala Rudy Gay, conhecido pelo seu talento e por sempre estar em franquias que caem de rendimento.

Foi a aposta correta? Se mantivermos como referencial o atual campeão Golden State Warriors, veremos que os Spurs tiveram vitórias na temporada regular e, no primeiro jogo dos playoffs, comandaram o placar até a fatídica lesão de Kawhi Leonard, quando aterrizou de um arremesso no pé de Zaza Pachulia. Se Leonard não se machucasse, o resultado da série seria o mesmo? Tenho pra mim que mesmo com Leonard em quadra os Warriors venceriam a série, mas não por 4×0. Mas, mesmo assim, é justo afirmarmos que o Spurs já é um time muito bom e que não precisaria de tantos movimentos como vimos outras equipes, principalmente no Oeste, fazerem.

Leia também –> O verdadeiro poder da fama

Porém, apesar dos Spurs terem um elenco com jogadores extremamente inteligentes, o que facilita as ações ofensivas

Roster final do San Antonio Spurs

e defensivas da equipe e que permite que a equipe faça um jogo mais controlado, bem longe do “run-and-gun” que domina a liga nos dias de hoje, uma parte da “espinha-dorsal” da equipe já está numa descendente da carreira. Parafraseando o grande professor Girafales (sim, uma referencia do seriado Chaves), depois dos 35 anos, cada ano de um atleta tem 60 meses. E nessa situação, os Spurs tem Tony Parker, Pau Gasol e Manu Ginobili. Ginobili provavelmente fará sua despedida nessa temporada. Parker, ao longo da temporada, deve perder a condição de titular para Patty Mills. Já Pau Gasol, que chegou a ir para o banco (e jogou bem nessa condição) será, junto de LaMarcus Aldridge, a principal força no garrafão de San Antonio. Popovich precisará controlar muito os minutos dessa turma para chegar forte nos playoffs, sendo que terá jogos bem complicados na temporada regular na conferência que mais se reforçou. Lembrando ainda que Leonard não joga na estréia da equipe e não tem data para voltar a quadra.

Mesmo com tudo isso, é difícil apostar em menos de 50 vitórias e que a equipe fique abaixo da quarta colocação na temporada regular. Mesmo com a idade avançada, com os movimentos de outras franquias para reforçarem o elenco, a continuidade dos Spurs deve novamente ser suficiente para deixar a equipe bem colocada para os playoffs. Se será páreo para Warriors e para as forças em ascensão dos Rockets e Thunder, só o tempo irá dizer.

 

Créditos / Imagens: Twitter oficial do San Antonio Spurs

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

%d blogueiros gostam disto: