Brazuca FC – O último nordestino campeão brasileiro

(Foto: Arquivo / Ag. A Tarde)

Foram poucas as vezes que o campeão brasileiro esteve fora dos quatro grandes centros do futebol nacional (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul). As diferenças econômicas das regiões sempre foram latentes e, como consequência, em campeonatos longos esse fator fez a diferença, mesmo na época dos mata-matas. O nordeste brasileiro, por exemplo, teve apenas duas equipes que conquistaram o campeonato nacional: O Sport, em 1987 (com toda uma polêmica que envolve o campeonato daquele ano) e o Bahia, em 1959 e 1988. E é justamente sobre o último título que iremos comentar nesse texto.

O Campeonato Brasileiro de 1988 voltava para o comando da CBF – Confederação brasileira de Futebol, depois de todo imbróglio da entidade com o Clube dos 13 que faz com que o título nacional de 1987 seja debatido até hoje se é do Sport Recife ou do Flamengo. Melhor configurado que outros campeonatos da mesma década, a competição teve 24 equipes na primeira divisão e, pela primeira vez na história, um critério de rebaixamento. As equipes foram divididas em 2 grupos de 12 clubes, com confrontos no próprio grupo no primeiro turno e contra outro grupo no turno seguinte. Também em forma experimental, a vitória passava a valer três pontos, porém em caso de empate, disputa de pênaltis para a equipe vencedora levar um ponto adicional.

No mesmo grupo de Vasco da Gama, Grêmio, Santos, Botafogo, Cruzeiro, Corinthians e outras equipes, o Bahia, dirigido por Evaristo de Macedo e tricampeão baiano, começava sua caminhada liderada pelo ídolo e eterno camisa 10 tricolor Bobô. O jogador era o grande maestro da equipe, com classe e ótima finalização, fazia a alegria da torcida na Fonte Nova e nos jogos fora de casa. O grande jogo na fase de classificação talvez tenha sido a vitória contra o São Paulo, em pleno Morumbi, com gols do camisa 10 e do atacante Zé Carlos, jogo em que tricolor baiano sobrou sobre o paulista. Mesmo assim, houve alguns altos e baixo, e a classificação do Bahia veio pelo ótima campanha do Vasco, que venceu os dois turnos e “abriu” a vaga para o Bahia, melhor do grupo na soma dos turnos e que não havia garantido diretamente a classificação.

Nas quartas de final, veio um duelo regional, contra o Sport Recife. Dois bons jogos, mas que terminaram sem vencedor. 0x0 na Fonte Nova e 1×1 na Ilha do Retiro garantiram a classificação dos baianos pela melhor campanha na fase anterior. Na semifinal, o Bahia teve pela frente o Fluminense. No Maracanã, 0x0 com ótima atuação do goleiro Ronaldo. Na volta, o maior público presente da história da Fonte Nova, com 110.438 pessoas para acompanhar a vitória por 2×1, de virada, com gols de Bobô e Gil, para colocar o Bahia na final do Campeonato Brasileiro daquele ano.

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E o adversário era o Internacional de Porto Alegre de Taffarel, Carlos Winck e do técnico Abel Braga. No primeiro jogo, na Fonte Nova, com apoio de pouco mais de 90 mil torcedores, o Bahia foi a campo com Ronaldo no gol, Tarantini, João Marcelo, Claudir e Edinho na defesa, Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô no meio campo com Osmar, Charles (Sandro) e Marquinhos no ataque. E novamente teve que virar o placar após Leomir fazer 1×0 aos 19 minutos de jogo. Mas o Bahia tinha Bobô na melhor fase de sua carreira e o camisa 10 empatou aos 39 e fez o gol da virada aos 5 do segundo tempo. Vitória tricolor para explodir a torcida baiana. No segundo jogo, em 19 de fevereiro de 1989, o 0x0 garantiu o último título brasileiro de uma equipe do nordeste. O Bahia fazia história mais uma vez e Bobô seria para sempre imortalizado na mente e nos corações tricolores.

Depois do título, Bobô rodou pelo futebol brasileiro, jogando por São Paulo, Flamengo e Fluminense, até encerrar a carreira em 1996 novamente no Bahia. Também chegou a dirigir a equipe num curto período. O Bahia não conseguiu mais repetir o feito. Do nordeste, apenas o rival Vitória chegaria a uma decisão do Campeonato Brasileiro em 1993, quando foi vice-campeão para o Palmeiras enriquecido pela Parmalat. Na era dos pontos corridos a coisa ficou ainda mais difícil e o Bahia é uma presença inconstante na Série A. Mas tradicional e respeitada por qualquer uma das “grandes” equipes do principais centros, embora a mídia regional não dê o merecido valor.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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