CAMPEÃO DO SÉCULO #2 – Turbulência premeditada

Historicamente, o Palmeiras vive turbulências políticas intermináveis. Maldita foi a década de 70, que testemunhou a indicação e, posteriormente, posse de Mustafá Contursi como conselheiro vitalício. A partir daí, nunca mais tivemos paz interna. Bendito, porém, foi o ano de 2013, no qual Paulo Nobre quebrou as antigas regras e profissionalizou o futebol, mostrando um caminho melhor e totalmente diferente daquele defendido por vermes que sentam nas cadeiras sociais do clube.

Embora fora do cargo administrativo máximo, Mustafá ainda mexe seus pauzinhos dentro da instituição. Conseguiu, por exemplo, eleger a presidente da Crefisa, Leila Pereira, ao cargo de conselheira. Tudo isso de maneira irregular, uma vez que Leila não possuía tempo mínimo de associação para candidatar-se. O Palmeiras chegou a apurar se houve irregularidade, mas qual possível anormalidade pode ser encontrada se os próprios investigadores são os pauzinhos mexidos?

Mais uma vez, Leila e Mustafá foram alvos de investigações do clube (‘coincidentemente’ no período que subimos de produção e assumimos a vice-liderança, diga-se). Trata-se da venda irregular de ingressos por cambistas, que teriam acesso às suas mercadorias através do dirigente milenar. O próprio Mustafá afirmou: “davam os ingressos para mim e eu os repassava para várias pessoas”. Interpretação óbvia. Entretanto, nem a própria confissão levou à uma conclusão do caso. Óbvio, também.

Leila também se defendeu, mas nem precisava. Tem aval do cartola, já que investe dinheiro no clube. Dinheiro este que, se dependesse de Mustafá, não iria para o futebol, mas para o clube social, que sustenta seu apoio político. Entretanto, a presidente da Crefisa faz questão de manter o departamento de futebol nas mãos de profissionais do ramo. Uma relação muito complexa, uma vez que Leila, queridinha de Mustafá, tem um pensamento diferente do dele. Para o clube, sua presença é importante para que seja feita pressão no uso correto dos recursos. Por outro lado, sua eleição como conselheira foi irregular e perigosa, já que ela pode se tornar muito poderosa dentro do clube.

Para o torcedor, divisão total de pensamentos e a sensação mais dolorida: impotência.

Não nota-se uma nova turbulência política se formando, visto que ela nunca deixou de existir. A externalização dessas informações, porém, destacam uma nova intensidade, que não mais pode ser resolvida internamente. Isso é muito preocupante.

 

Por Fellipe Sartori

 

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