CANTO DO MANTO #24 – O que aconteceu com o Flamengo?

(Foto: Thomás Santos/AGIF)

 

Tentem não reparar na demora pra falar sobre a final da Copa do Brasil. Perder doeu. Eu não estava confiante como deixei bem claro no último texto do Canto do Manto e fui duramente criticado, mas doeu. Alguns (muitos) torcedores ainda estavam iludidos pela mágica do “se deixar chegar…”, mas isso não aconteceu. E não aconteceria com um dos times mais sem raça que já vi vestir a camisa do Flamengo. O grande paradoxo é que esse time é, no papel, um dos melhores que já tivemos. Sem problemas de salário, com um estádio bacana para jogar, com as contas quase em dia, mas sem alma. Sem vontade. Sem nada.

A culpa durante o primeiro semestre da temporada era que não tínhamos técnico. E é verdade, Zé Ricardo já está péssimo no nosso rival e provavelmente vai rebaixa-lo. Se com material humano decente, ele só acumulou vergonhas, imagina com o fraco time do Vasco. Se ficar na série A tá muito bom. E isso também somado à “proteção” dada às bactérias Márcio Araújo, Rafael Vaz, Gabriel, Muralha, dentre outros. Cada um deles causou um pouco do fracasso no ano de 2017. E não tentem amenizar, nem ganhar a Sul-Americana e nem a vaga na Libertadores amenizam o patético desempenho do Mais Querido neste ano.

As bactérias do time continuaram. E permaneceram mostrando motivos para a implicância da torcida. MA é um câncer em campo e sempre mal posicionado, Vaz erra tudo que tenta, Muralha não pega um pênalti nem se a minha avó de 75 anos chutar e Gabriel é uma água de salsicha com tempero de acarajé. Rueda chegou tentando mostrar trabalho, promoveu mudanças, buscou revezamento e vitórias em todas as partidas. Acertou e também errou, não é o dono da verdade e não é perfeito, mas entende de futebol. E tem tudo pra dar certo num futuro próximo. Não deve ser culpabilizado (ainda) por nada. Deem tempo para o homem trabalhar!

Porém, o maior problema desse time é a apatia. E essa não se encontra apenas dentro de campo. Vem de uma diretoria que não cobra nas derrotas, que não entende absolutamente nada de futebol e entende apenas das finanças. De um presidente que é teimoso, centralizador e que não ouve a torcida e ainda assim pensa em renovar com Márcio Araújo. É de um “craque” que perde pênalti na final da Copa do Brasil e que pensa que dando uns carrinhos aleatórios em campo está fazendo alguma coisa. Diego foi a maior decepção do ano e quem o chama de “homão da porra” não sabe o que está falando. “Homões da porra” são Ronaldo Angelim, é Adriano, Petkovic, Fábio Luciano.

Além de não conseguir fazer nada, o time foi mal nos dois jogos da final. Não acredito que o Cruzeiro tenha sido muito melhor, mas o Flamengo tinha que ter vencido pelo menos dentro de casa. Thiago, assim como Muralha, falhou ridiculamente. E isso também é erro da diretoria que deixou chegarmos até o fim do ano sem goleiro. Planejamento é o que falta no Flamengo.

O ano acabou e eu estou bastante decepcionado com esse time. Vocês me verão menos por aqui, mas estarei sempre tentando cobrir os eventos importantes do time no resto de 2017. Os otimistas vão me dizer que ainda temos a Sul-Americana pra competir e o Brasileirão ainda está aberto. Eu até concordo com isso, mas com esse time sem sangue não iremos a lugar algum. Já somos a decepção do ano e terminar de cabeça erguida tentaria apagar o vexame que foi essa temporada. É o que eu espero do Flamengo. E é o mínimo que essa torcida maravilhosa merece.

Lucas Farias

Carioca, 25 anos, nem um pouco jornalista, mas apaixonado por esportes, principalmente futebol. Flamengo, Tottenham, Miami Heat e New Orleans Saints.

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