De quem é a culpa? – Seleção Brasileira de futebol feminino

(Foto: El País)

 

Não é de hoje que se procurava alguém capaz de promover uma renovação para o futebol feminino brasileiro. A chegada de Emily Lima ao comando da seleção brasileira, em 2016, trouxe com ela a certeza de que dali poderiam ser colhidos bons frutos no futuro – como uma medalha em Tóquio ou até uma boa colocação na Copa do Mundo. Mas, no último dia 22 de setembro, Emily e sua comissão foram demitidas, deixando à tona um clima quente entre a treinadora e o Coordenador da CBF, Marco Aurélio Cunha.

A justificativa para a demissão foram os recentes resultados ruins conquistados pela seleção feminina. Sob o comando de Emily, ao todo foram sete vitórias, um empate e cinco derrotas, sendo o insucesso das últimas cinco partidas, em amistosos contra equipes melhores ranqueadas na FIFA, que para a seleção, seriam ótimos testes visando corrigir falhas que pudessem vir a acontecer. As jogadoras presentes no grupo chegaram a pedir a permanência de Emily, por aprovarem o seu trabalho até então. O pedido foi em vão. Vadão já foi anunciado para reassumir o comando.

A demissão repentina de Emily gerou mais do que apenas notícias do cenário nacional. Após a sua saída, cinco jogadoras presentes nas convocações – Fran (meia), Rosana (lateral direita), Maurine (lateral direita), Andreia Rosa (zagueira) e Cristiane (atacante) – apresentaram seus motivos à imprensa e anunciaram que não defenderão mais a Seleção Brasileira.

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Em entrevista para o programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, no último dia 1º de outubro, Emily relembrou o início da trajetória de Vadão à frente da Seleção, que também foi marcada por derrotas, mas que houve continuidade no projeto. Também alegou que a CBF buscava uma “transição” para ter novos rumos para o futebol feminino, mas que isso não ficou claro para ela, após a volta de Oswaldo Alvarez para o comando técnico. Para Emily, sua ideia de querer mudanças dentro da modalidade foi um erro que custou caro.

Com isso, o futebol feminino do país passa mais uma vez por dias de crise. Com a sua maior entidade não apoiando uma nova fórmula de trabalho, fica difícil entender onde a nossa seleção pode chegar no futuro. A ausência de várias jogadoras também fará muita diferença nos próximos confrontos. O que podemos esperar daqui pra frente é um momento conturbado, em que a CBF e Vadão terão de encontrar soluções para tentar acalmar os ânimos e definir os rumos dentro da modalidade.

 

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago à tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada esporte.

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