ENTREVISTA – Matheus Leoni, jogador do PFC Beroe, da Bulgária

(Foto/Reprodução: News Rondônia)

O sonho de todo jogador de futebol é sempre estar em grandes clubes e conquistar títulos. Mas, durante esse percurso até a chegada ao ápice, encontram-se muitas dificuldades, sejam elas financeiras, familiares ou psicológicas, já que a vida de um jogador é cheia de altos e baixos. O HTE Sports entrevistou o atleta Matheus Leoni, natural de Porto Velho-RO, que ainda novo deu início ao seu sonho de se tornar um jogador de futebol, e que, mesmo em meio às adversidades, sua família teve um papel precursor para que ele pudesse conquistar a sua realização como profissional. Hoje ele atua no PFC Beroe, da Bulgária.

Matheus, você começou sua carreira no juvenil do PSTC, clube do estado do Paraná. Como deu início tua trajetória como jogador e como foi que descobriram seu talento para o futebol? 

Em 2006 fizemos uma viagem de três dias de ônibus de Porto Velho, Rondônia, cidade e estado em que nasci e fui criado, para jogar o Campeonato Sul-Americano, no Paraná. Na época fomos desacreditados, apenas para participar e depois de uma semana voltar para Porto Velho. Mas, no decorrer da competição fomos ganhando confiança e conseguimos chegar na final, onde perdemos pro Guarani, de Campinas, por 2 a 0 – nossa única derrota. Pegamos equipes consideradas grandes no Brasil e também de fora, como o Cobreloa, do Chile. Depois deste campeonato, fui artilheiro da equipe e fiz uma boa competição, foi daí que fui para o PSTC, de Londrina. Eu tinha apenas 14 anos!

Para as pessoas que pouco lhe conhecem, essa não é a sua primeira passagem no futebol europeu. Logo depois do Figueirense, você foi para o futebol alemão, austríaco, suíço, e retornou à Alemanha, passando pelo SW Rehden II, Mahder e BSV SW Rehden. O que aconteceu para que você tivesse passagens tão curtas e que acabaram não dando certo?

Na verdade, depois que estourei a idade de juniores no Figueirense, surgiu uma oportunidade de ir para Alemanha, em 2012. Era muito novo e tive muita dificuldade na adaptação, mas aprendi muito com a cultura deles e também foi importante quatro anos mais tarde, quando voltei pra Suíça, pois já sabia como tudo funcionava, como são as pessoas e também a cultura.

No Brasil você atuou por vários clubes, como o Salgueiro, Guarany de Sobral, e outros. Mas, para quem via suas atuações de perto, creio que foi no ECPP Vitória do Conquista, da Bahia, onde você teve a sua melhor passagem. No clube baiano, esteve no elenco que fez parte da conquista do Vice-campeonato Baiano, em 2015, o que lhe rendeu a vaga na lateral esquerda da seleção dos melhores daquela edição da competição. Conte um pouco mais sobre como foi a experiência no clube baiano.

Entrega da premiação de melhor lateral esquerdo, feita pela FBF. (Foto: Jéssica Santana)

O Vitória da Conquista me fez dar um salto importante na minha vida profissional, pois fui para lá como volante. Porém, na época, não havia nenhum lateral-esquerdo no clube antes de começar a competição, e eu era a única opção para completar os treinamentos. O campeonato começou, chegaram alguns companheiros para a posição, mas o professor Evandro Guimarães optou por me manter e fui ganhando confiança jogo após jogo. No final perdemos para o Bahia, mas tínhamos uma grande equipe, acredito que merecíamos o título, mas faz parte, futebol é imprevisível. Também fiquei muito feliz por ter ganhado o prêmio de melhor lateral da competição. Fiz muitos amigos no clube e até hoje converso com o presidente Ederlane Amorim. Gosto muito da cidade, de todos. Espero um dia voltar, nem que seja apenas para visitar.

Um episódio à parte e que até hoje os torcedores conquistenses ainda discutem o porque de ter acontecido, foi a perda do título baiano que estava praticamente em mãos. O Vitória da Conquista  havia derrotado o Bahia por 3 a 0 na primeira partida, em casa, mas no jogo de volta sofreu 6 gols e perdeu o título na Fonte Nova. Você, que estava no elenco naquela partida, conte como foi o pré e pós-jogo após aquela derrota, e o que você pensava que poderia acontecer com a sua carreira a partir daquele momento?

Atuação na final contra o Bahia, na Fonte Nova. (Foto/Reprodução)

Realmente foi difícil acreditar no que estava acontecendo. Durante o jogo, quando tomamos os gols, eu ainda não conseguia acreditar que aquilo estava se passando. Estávamos muito concentrados, confiantes de que poderíamos fazer um bom jogo e conquistar o título inédito. Porém, esse é o futebol, e muitas pessoas amam esse esporte por isso. Quanto à minha carreira, claro que se fossemos campeões, muitas outras portas poderiam se abrir, mas também fizemos uma grande campanha. Acredito que as coisas acontecem como devem acontecer.

Após o Vitória da Conquista, você ainda passou pelo Caxias-RS e Luverdense-MT, até que em 2016, quando atuava pelo time mato-grossense, recebeu a proposta para atuar no futebol suíço, no Neuchâtel Xamax, clube que disputa a Liga Challenge (segunda divisão). Como foi o primeiro contato com o clube e qual a sensação de voltar novamente ao continente europeu, dessa vez com uma responsabilidade maior de subir com o Xamax para a primeira divisão?

(Foto/Reprodução: Neuchâtel Xamax)

No Xamax eu tive muitas dificuldades por ter chegado já no meio da temporada e por ter uma lesão no ombro, o que me deixou algum tempo longe de ter condições de jogo. Mas o clube é maravilhoso, cidade muito boa de se viver, e aos poucos fui retomando minha confiança, minha forma e comecei a jogar mais. Porém, na Suíça, somente um sobe para a primeira divisão e nós ficamos em segundo atrás do Zurich, que é um dos grandes clubes de lá. Mas esse ano o clube está liderando o campeonato, e o planejamento era subir essa temporada.

Vocês quase conseguiram o acesso, mas essa boa campanha do time rendeu para você uma bela recompensa, quando o PFC Beroe, da Bulgária, buscou sua contratação para disputar a Parva Liga (primeira divisão) pelo clube a partir da temporada 2017/2018. Iria atuar em um clube que enfrentaria equipes de renome na Europa, como Ludogorets e CSKA Sofia. Como você recebeu essa notícia e como anda o processo de adaptação no clube?

Aqui, no Beroe, foi tudo muito rápido. Eu me adaptei muito fácil, até porque já sabia como funcionava tudo aqui na Europa. Cheguei na pré temporada, todos me deram confiança, então isso acaba ajudando muito alguém quando vem de longe. Temos um clube muito bom, muito organizado, que paga em dia, então isso te dá muita segurança pra trabalhar. Fiquei muito feliz com a oportunidade de vir pra cá, para jogar uma primeira divisão e também brigar pela vaga da Liga Europa na próxima temporada.

Mesmo não sendo um clube tão popular entre os brasileiros que conhecem de futebol, o PFC Beroe tem uma ótima estrutura, e com isso vem fazendo uma boa campanha no campeonato nacional, estando atualmente na 5ª posição, o que dá classificação para os playoffs. Mesmo com investimento inferior aos grandes clubes da Bulgária, você acredita que dá para brigar pelo título e conseguir uma vaga nas eliminatórias da Liga dos Campeões?
Sinceramente não. Temos uma ótima estrutura, uma cidade muito legal de viver, torcedores que apoiam, porém para você ir pra Champions League, precisa ser campeão, e acredito que o Ludogorets será campeão mais uma vez, mas o nosso foco é estar entre os seis, pra poder brigar por uma vaga na Liga Europa, pois temos grandes chances de conquistar.
Pela experiência que você teve na Alemanha, Áustria, Suíça, e agora na Bulgária, quais as semelhanças e as principais diferenças que você percebeu em relação ao que você viveu no futebol brasileiro? Quais as lições que você tira de estar num continente tão diferente, em vários aspectos , em relação ao nosso?
A diferença é muito grande, a começar pelo calendário brasileiro que é muito ruim. Se você joga em clubes de Série A ou alguns de Série B, você pode ter uma instabilidade anual, se não, você faz 4 meses de contrato e depois não sabe se terá emprego, é muito difícil. Com relação ao futebol, creio que aqui você tem uma obediência tática maior, menos espaços pra jogar em relação ao Brasil.
Hoje, aos 26 anos de idade, e com o sonho realizado de jogar na Europa, o que você ainda almeja para sua carreira profissional?
Muita coisa! A gente nunca pode deixar de sonhar, de ir em busca de objetivos maiores. Aqui na Europa a cultura é um pouco diferente do Brasil. com 26 anos você ainda é considerado novo, tem muito chão pra percorrer, então eu quero me consolidar ainda mais pela Europa e ficar aqui por muitos anos.
Nós do HTE Sports queremos te agradecer pelo tempo cedido para que fosse realizada essa entrevista. Deixa suas considerações finais e um recadinho para nossos leitores!
Eu gostaria de mandar uma mensagem pra todos aqueles que sonham em se tornar um dia atletas de futebol ou tenham algum sonho que queiram realizar. Dizer para que trabalhem bastante, se dediquem, pois muitas pessoas vão falar coisas ruins, mas somente você pode mudar o seu destino. Jamais desistir dos seus sonhos e objetivos, e fazer tudo com muita dedicação e amor!

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago à tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada esporte.

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