MLS por trás do maior vexame do “soccer” nos EUA?

Por: Lucas Brito

A noite do dia 10 de Outubro de 2017 será uma mancha enorme na história do futebol nos Estados Unidos e não será apagada em pouco tempo. A segunda melhor seleção do continente saiu derrotada para o Trinidad, a pior seleção do hexagonal da CONCACAF e que jogou a partida com o time reserva. De quebra, os EUA ainda viram a vaga na Copa da Rússia escapar após vitórias de Honduras e Panamá.

Tudo começou após um gol contra do Omar González. Pouco tempo depois, Alvin Jones ampliava a vantagem do Trinidad sobre os EUA. Naquela altura, Honduras e Panamá estavam perdendo, mas os norte-americanos sabiam que não podiam contar com a sorte e precisavam empatar o jogo – resultado que garantiria os EUA na Copa da Rússia. Logo no começo do segundo tempo, Christian Pulisic, o grande jogador desse time, conseguiu um gol. Parecia que a reação era só questão de tempo, mas não foi. O adversário, que estava em crise interna e não vencia há 9 partidas, tirou os Estados Unidos de uma Copa do Mundo. Isso por que Honduras, liderada por Romell Quioto e Alberth Elis conseguiu uma importante vitória sobre o México em um dos estádios mais temidos da CONCACAF, o tenebroso Estádio Olímpico de San Pedro Sula, e se classificaram para a repescagem.

O Panamá, com direito a gol controverso de Gabi Torres, venceu a Costa Rica dentro de casa e irá disputar a sua primeira Copa do Mundo na história. O chute do iluminado Román Torres, que marcou o gol da vaga, não foi chutado apenas por ele, mas sim por 4 milhões de panamenhos que choraram a melancólica eliminação no último lance perante os Estados Unidos há quatro anos e que hoje vibram e festejam a inédita classificação a fase final de um mundial.

Mas, como explicar tamanho vexame dos EUA? Será por que eles não têm tradição no futebol? Longe disso. Os Estados Unidos têm 10 participações em Copas, o dobro de participações que a Costa Rica, o terceiro da região nesse quesito. Ou seja, tem bem mais tradição que seus rivais, excluindo o México. E então é por que os norte-americanos não gostam de futebol e preferem outros esportes? Obviamente isso é um clichê que não possui fundamento algum. A USMNT (United States Men’s National Team) tem um time muito mais forte que seus rivais no dia de ontem, como Panamá, Honduras e Trinidad e os norte-americanos nunca gostaram do “soccer” como gostam hoje. A paixão pelo esporte tem crescendo muito no país, basta acompanhar as torcidas na MLS. Com 4 vagas na CONCACAF, os EUA têm a obrigação de classificar fácil para uma Copa do Mundo. Então como explicar?

Simples. A própria Major League Soccer deu uma “rasteira” na USMNT. A MLS, “sem querer”, começou ajudar no desenvolvimento dos rivais dos EUA na CONCACAF, é só analisar alguns números. Nas eliminatórias de 2014, o Panamá e Costa Rica tinham 3 jogadores cada que jogavam na Major League Soccer durante as eliminatórias e a maioria do elenco jogava nas suas próprias ligas nacionais. Nas de 2018, o Panamá teve 9 e a Costa Rica 11. Um aumento absurdo em poucos anos, que reflete em como os clubes da MLS começaram a olhar com mais carinho para o mercado da CONCACAF. Contratar bons jogadores das ligas centro-americanas virou uma opção boa e barata, já que a liga tem um teto salarial. E isso não aconteceu só com essas duas seleções…

O México tem os irmãos Jonathan e Giovani dos Santos, além do Carlos Vela, que irá jogar na liga em 2018. A dupla de ataque de Honduras (Elis e Quioto) também formam a dupla de ataque do Houston Dynamo, equipe da MLS, além de outros bons jogadores hondurenhos de outras posições que também atuam na liga americana. Os três principais jogadores de Trinidad (Joevin Jones, Kevin Molino e Kenwyne Jones) atuam na MLS, além de jogadores importantes das seleções de Canadá, El Salvador e Jamaica, as mais fortes que ficaram de fora desta última fase.

No hexagonal das eliminatórias para 2014, 14 gols foram marcados por jogadores da MLS, nas diferentes seleções que disputavam. Já no hexagonal para 2018, foram 38 gols. Mais um aumento absurdo que prova o quanto a MLS ajudou os rivais dos EUA no continente. Se antes eles ficavam com medo de enfrentar o bicho papão estadunidense, hoje eles não têm mais esse medo. Como disse o panamenho Román Torres, zagueiro do Seattle Sounders, hoje eles estão em uma liga com um nível muito superior ao das ligas centro-americanas e jogam todas semanas contra e com astros da seleção norte-americana, como Dempsey, Howard, Bradley e Altidore, o que facilita quando eles estão diante dos norte-americanos em campo.

Os gols que classificaram Panamá (Román Torres – Seattle Sounders) e Costa Rica (Kendall Waston – Vancouver Whitecaps) para a Copa e Honduras (Romell Quioto – Houston Dynamo) para a repescagem foram marcados por jogadores que atuam na Major League Soccer, gols esses que ajudaram a tirar os Estados Unidos do mundial da Rússia. A MLS teve uma “mãozinha” nessa eliminação norte-americana. Mas claro, este não é o principal fator que explica um vexame como esse, e medidas drásticas terão que ser tomadas em breve no futebol estadunidense.

Lucas Tinoco

21 anos, baiano e aspirante a jornalista esportivo. Fanático por esportes em geral, principalmente futebol. Adepto das ligas europeias e do futebol alternativo. Líder do Editorial de Futebol Internacional do HTE Sports.

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