O passado é o melhor futuro do Bayern?

(Foto:www.101greatgoals.com)

É muito raro uma equipe gigante da Europa trocar de treinador no meio da temporada, mas o poderoso Bayern não achou outra solução a não ser demitir o técnico Carlo Ancelotti após um péssimo início de temporada.

As notícias especularam uma briga interna entre treinador e alguns jogadores do elenco, fato que não foi confirmado por ninguém, por mais que alguns atletas da equipe deram algumas entrevistas deixando no ar a insatisfação com o treinador. Por fim, Ancelotti deixou a equipe alemã após 3 títulos (1 Bundesliga e 2 Supercopas Alemã) e um bom aproveitamento de 70% (42 vitórias, 9 empates e 9 derrotas em 60 partidas).

Choveram nomes para dirigir o Bayern. Thomas Tuchel (ex-Dortmund), Julian Nagelsmann (jovem treinador do Hoffenheim) e até mesmo Luis Enrique (ex-Barcelona), mas para surpresa de todos Jupp Heynckes, o homem responsável pela primeira e única tríplice coroa do Bayern em 2013, deixou a aposentadoria e voltou a treinar os bávaros.

Com contrato até o fim desta temporada, a missão principal é recuperar o time, mas até onde irá a paciência do torcedor com a volta de um treinador campeão sem cobrar as mesmas conquistas anteriores? Estaria o time alemão estagnado em seu passado?

A comparação que irei fazer pode parecer sem sentido, mas vamos utilizar uma situação bem parecida que aconteceu recentemente aqui no Brasil, mais especificamente no Palmeiras. Eduardo Baptista nunca foi o treinador dos sonhos, sempre foi assombrado pelo nome do Cuca (lembrando que o nome de Jupp Heynckes sempre foi pedido pela torcida no primeiro ano do Guardiola) e acabou sendo demitido do cargo com 67% de aproveitamento, muito próximo do aproveitamento do Ancelotti.

Quem assumiu a equipe palmeirense? Sim, Cuca. A volta do treinador campeão, o homem que iria colocar as coisas no eixo, a torcida foi à loucura, comemorou como um título, mas nós já sabemos o fim dessa história e não foi boa para nenhum dos lados. A volta de Heynckes criou o mesmo entusiasmo na torcida do Bayern, mas até onde trazer de volta uma ideologia de um treinador aposentado pode trazer benefícios futuros para a equipe alemã?

É evidente que não estou comparando o Bayern com o Palmeiras, e nem o Cuca com o Heynckes, mas o que me intriga é esse pensamento de dirigentes que acreditam que se um treinador foi campeão no passado, será campeão no presente.

Temos vários exemplos onde tentar o fator novo, uma renovação, gera bons resultados. Barcelona é campeão nesse quesito. Rijkaard, Guardiola e Luis Enrique foram apostas e geraram excelentes resultados. O rival Real Madrid resolveu seguir essa receita, e com Zidane como treinador vem colecionando títulos.

A Juventus do Conte, o Ajax do Frank de Boer, o Atlético de Madri do Simeone, o Palmeiras do Luxemburgo, o Porto do Mourinho, o River do Gallardo… São inúmeros exemplos em todo mundo de apostas que trouxeram grandes benefícios e títulos para essas equipes.

No campo, Heynckes também parece querer reviver o passado. Na sua estreia colocou praticamente todos os sobreviventes daquela equipe de 2013 e só não pôde usar Neuer e Ribery, que estavam lesionados. Cuca também utilizou dessa ideia no Palmeiras. Aos poucos ele foi colocando em campo a mesma equipe campeã brasileira de 2016.

Não torço pelo insucesso do Bayern e nem do Heynckes, mas toda essa história me preocupa. O futebol está em constante mudança, times com grandes orçamentos disputando zonas de rebaixamentos, times pequenos sendo campeões, times com elencos fortes sofrendo para ganhar jogos, etc. E mesmo vendo tudo isso, algumas equipes ainda continuam insistindo em não mudar, ficam estagnadas em uma ideologia que não resulta em nenhuma perspectiva futura.

Após a saída do Heynckes e a chegada de Guardiola, o Bayern ganhou um outro estilo de jogo. Demorou até que o Guardiola conseguisse implantar suas ideias no futebol alemão, porém conseguiu obter sucesso no cenário nacional. Após a saída do treinador espanhol, veio Ancelotti, com um estilo completamente diferente e agora eles voltam a implantar uma ideologia passada, esquecendo as melhorias implantadas por treinadores anteriores.

Heynckes venceu seus quatro primeiros jogos, porém os dois últimos jogando mal e com um jogador a mais praticamente o segundo tempo inteiro, mas encostou na liderança do alemão, classificou a equipe para as quarta de final da Copa da Alemanha e recuperou a equipe na Champions. Mesmo assim uma grande questão fica em aberto: se ele ganhar títulos, terá seu contrato renovado? E se ele não conseguir realizar seu trabalho com sucesso, qual será o caminho que o Bayern irá tomar para a temporada que vem?

Texto: Guilherme Vechiato

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