Por debaixo do tapete das Olimpíadas

(Foto: Mauro PIMENTEL/AFP. Reprodução: Gazeta Esportiva)

 

Tudo se iniciou no dia 2 de setembro de 2009, quando num evento em Copenhague, na Dinamarca, o Rio de Janeiro foi escolhida como a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O circo estava armado! Os “artistas” estavam prontos para ludibriar a platéia que esperava ansiosa pelo espetáculo. Mal sabia o povo brasileiro que o ingresso para aquele espetáculo custaria caro no futuro.

Para que o leitor entenda de forma breve e resumida essa longa história, voltemos a um mês atrás, quando agentes da polícia federal, em uma fase da operação Lava Jato batizada de “Unfair play” batem à porta de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), e o conduz coercitivamente para prestar depoimento sobre uma suposta acusação de envolvimento junto à Papa Masata Diack – senegalês suspeito de receber $ 2 milhões enviados por Nuzman, antes da votação do Comitê Olímpico Internacional (COI), para que seu pai, Lamime Diack, presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) votasse na candidatura do Rio de Janeiro para que fosse escolhida como cidade-sede para a realização das Olimpíadas. Nuzman se calou diante aos microfones. Mesmo assim, a investigação continuava a ser feita, até chegarmos na manhã de ontem, 05 de outubro de 2017.

Por volta das 06h00 deste dia, a polícia federal chega às casas de Nuzman e do diretor geral do COB, Leonardo Gryner, respectivamente, e os prende em seus endereços na Zona Sul do Rio de Janeiro. A princípio se trata de uma prisão temporária de cinco dias, podendo se prolongar para mais cinco, até que as investigações sejam finalizadas. Nuzman foi preso por suspeita de ocultação de bens nos dias em que antecederam o início da operação. A polícia federal fez uma busca na casa do presidente e encontrou a chave de um cofre que se encontrava na Suíça. Após a apreensão, Nuzman retificou a declaração de imposto de renda e afirmou a existência de 16 barras de ouro, totalizando em 16kg. A investigação ainda encontrou provas de que Nuzman teve um crescimento patrimonial de 457% dentre os anos de 2006 a 2016.

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Não entrando no mérito das investigações, mas este é o tão famoso e dito legado que às Olimpíadas iriam deixar para o nosso país? Ainda sem essa notícia, já havia se informado que algumas das instalações do parque olímpico do Rio de Janeiro estavam em estado de degradação e praticamente inutilizáveis por quem poderia estar treinando e praticando esporte. Além dessa, o governo anunciou que nos próximos meses fará um corte drástico de 87% do valor que era repassado aos atletas olímpicos – lembrando que apenas os três melhores ranqueados em cada modalidade recebem essa bolsa nos valores entre R$ 5 mil a R$ 15 mil, no que ainda pode ser considerado muito pouco para um país que almeja se tornar uma potência esportiva.

A prisão de Nuzman e Gryner deixa ainda mais clara a intenção daqueles que se dizem passar por incentivadores, mas que por debaixo do tapete, como diz o título dessa matéria, tentam enganar aqueles que amam o esporte de forma verdadeira. Já não bastasse os escândalos de corrupção com os ex-presidentes da CBF, Ricardo Teixeira e José Maria Marim, o segundo como suspeito de lavagem de dinheiro que hoje depende da venda de seus bens para se libertar da prisão na Suiça.

Para encerrar esta matéria, deixo as palavras do ex-tenista Fernando Meligeni, em participação no programa Bate-Bola Bom Dia, da ESPN Brasil, do dia 5 de setembro, dizendo ao os atletas que aí estão, que eles é quem tem de cruzar os braços e parar em busca de melhorias para o desporto do país. Eles é quem nos representam, e são eles que podem ser lembrados não só como grandes atletas, mas como pessoas que lutaram pelo bem do esporte brasileiro.

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago à tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada esporte.

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