Scrum – Brasil e a gira pela Europa

A seleção brasileira masculina de rugby union realizou amistosos preparatórios contra a seleção da província de Córdoba em São Paulo, nos campos de São José e SPAC, obtendo duas derrotas para este selecionado que é um dos mais fortes na Argentina. Os jogos simbolizaram duas ocasiões: a preparação dos Tupis para o tour pela Europa em Novembro/Dezembro, onde enfrentará Bélgica, Espanha e Alemanha e o lançamento de um torneio com atletas de alto rendimento, a Liga Brasil PRO Series, idealizada pelo Beukes Cremer, scrumhalf da seleção brasileira.

Os placares, porém, não preocupam os Tupis, já que as seleções provincianas na Argentina são parte de um projeto sólido do rugby no país e pode bater de frente com seleções do mesmo escalão que o Brasil facilmente. O que se tira destes amistosos é que, jogando da maneira mais simples e com fundamentos consolidados, os Dogos cordobeses conseguiram facilmente expor a defesa brasileira. Este ponto pode ter ajudado os treinadores dos Tupis Daniel Gregg e Rodolfo Ambrósio a enxergarem as vulnerabilidades da nossa seleção.

Esta gira pela Europa faz parte do planejamento a médio e longo prazos da CBRu(Confederação Brasileira de Rugby) com objetivos ambiciosos, que envolvem não só os homens, mas também as Yaras, passando pela consolidação do selecionado no cenário mundial e até disputa por medalhas e boas posições no ranking mundial. O Brasil já  enfrentou a Alemanha em 2016 e obteve duas duras derrotas, mas fazendo bons jogos. Analisando friamente, o Brasil começou sua escalada internacional de forma meteórica e agora assentou-se, crescendo degrau por degrau.

O pilar Caique, de apenas 23 anos, é um dos principais jogadores desta nova geração dos Tupis. Atleta do São José Rugby. Foto: Brasil Rugby

Vale ressaltar que o amadurecimento das seleções brasileiras passa pelo estabelecimento das Academias de Alto Rendimento(o que, ironicamente, foi mostrado o contrário quando o Curitiba venceu o Super 8 2016. Ironicamente porque as academias foram encerradas por lá) e a captação de novos atletas, além dos selecionados de base viajando a países como Argentina e Paraguai (Aqui do lado temos uma das melhores seleções de rugby do mundo e um exemplo de gestão e implementação do esporte na vida da criança. Na minha opinião, devemos aproveitar muito mais ainda este capital humano que temos e enviar a garotada para a Argentina desde cedo para firmarem-se como rugbiers e retornarem para a multiplicação dos valores do esporte).

Criado na base do Volta Redonda Rugby, Cleber é a nova cara dos Tupis. O Asa evoluiu muito desde os tempos de juvenil e não foge à responsabilidade. O moleque é bom demais! Foto: Brasil Rugby

Ainda sobre a Europa, eu espero que o Brasil consiga ótimos resultados contra Espanha e Bélgica, que são equipes que ascenderam muito bem nos últimos meses e que faça um jogo parelho contra a Alemanha, ainda uma pedra no sapato dos Tupi. Verdade seja dita: se o Brasil evoluiu muito nestes anos como selecionado e estruturalmente, a Alemanha evoluiu duas vezes mais(talvez seja a cerveja).

Vinícius Guedes

Administrador de Empresas pela UFRRJ, Segurança Privado, Árbitro de Rugby pela RioRefs, jogador pelo Itaguaí Rugby. Gosta de esportes, filmes, séries e muita música.

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