Cinco Estrelas #2 – RB Leipzig: o início de um sonho

(Foto: www.eifsoccer.com)

Visto por muitos na Alemanha como um instrumento de marketing de uma grande empresa, o RB Leipzig carrega uma história muito interessante, mesmo possuindo apenas oito anos de fundação, além de ser um exemplo para o povo da região. Tudo começou quando a Alemanha foi confirmada como a sede da Copa de 2006. Com isso, o comitê organizador tinha que decidir quais cidades seriam as sedes dos jogos, e para não fazer diferença com o povo alemão, era essencial ter uma cidade sede na antiga Alemanha Oriental, parte do país que mais sofreu com o muro de Berlim.

Infelizmente, mesmo após a queda do muro, a parte Oriental ainda não conseguiu se restabelecer financeiramente, influenciando diretamente em questões básicas de vida e até mesmo no futebol. Os times dessa região possuem um poder aquisitivo baixíssimo e nenhum figurava na primeira divisão alemã com frequência. Após uma grande análise da região, constataram que apenas duas cidades poderiam ser cogitadas para sediarem a copa: Leipzig (importante na reunificação e com grande crescimento econômico) e Dresden (capital do Estado da Saxônica, com grande importância politica e econômica na região), ambas com mais de 500 mil habitantes.

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O diferencial foi o projeto esportivo. Leipzig possuía um estádio antigo e pouco utilizado, pois as equipes da cidade estavam em grande declínio, e juntando à dificuldade econômica da região, seria viável um investimento menor. Com isso o antigo elefante branco Zentralstadion ganhou uma reforma de 90 milhões de Euros (o 4° mais barato dos 12 estádios que sediaram a Copa) e se tornou uma sede do mundial.

Muitos eventos foram feitos no local como shows, torneios e amistosos, inclusive da seleção alemã. O estádio chegou a receber até a Seleção Brasileira na Copa das Confederações. Já na Copa do Mundo foram quatro jogos da primeira fase e um das oitavas de final. O povo da antiga Alemanha Oriental se sentiu orgulhosa com o evento e via o estádio como um símbolo de mudanças.

Mas, o sucesso se tornou uma grande dor de cabeça, o que seria do estádio após a Copa? O maior time da cidade, o Sachsen Leipzig, estava na quarta divisão, não conseguindo ser uma equipe rentável para o estádio e seu investidor. O futuro do Zentralstadion seria voltar a ser um elefante branco.

A salvação veio em 2009, a empresa Red Bull tinha tentado contratar o próprio Sachsen Leipzig, mas sem sucesso, então os olhos dos investidores se voltaram para uma equipe ainda menor, da mesma região, chamado Markranstädt, que acabou se tornando o quarto time que leva o nome da empresa, se juntando à equipes situadas em Salzburg, Nova Iorque e Brasil. Nascia então o RasenBallsport Leipzig, que por conta das leis do país não pode levar o nome da empresa, por possuir menos de 51% do time. Mas o maior atrativo de inicio seria o Zeltralstadion, que passou a se chamar Red Bull Arena.

A caminhada do RedBull se iniciou na temporada 2009/2010 na quinta divisão alemã. Foi um ano muito interessante para a competição pois tinha mais duas equipes da região (Lokomotive Leipzig e Sachsen Leipzig) sendo esses clássicos disputados no estádio novo. Ao fim da temporada, o RB Leipzig conseguiu seu primeiro acesso.

O segundo acesso veio na temporada 2012/2013 e durante esse período, por mais que no início a torcida local ainda não tinha criado simpatia com a equipe, o número de torcedores no estádio foram aumentando aos poucos.

Foi na terceira divisão que time e estádio começaram a ser vistos com bons olhos pela região. A média de público foi de 16 mil torcedores, e no jogo que confirmou o acesso para a segunda divisão, a arena recebeu 42.700 torcedores, recorde de público no estádio para um clube de futebol.

Na temporada 2015/2016. o grande acesso a Bundesliga foi confirmado após a 2ª colocação na segunda divisão, fazendo novamente um time da Alemanha Oriental voltar a disputar a primeira divisão. A última equipe a conseguir este feito foi o Energie Cottbus, em 2008-09.

Com uma ascensão meteórica e sempre apostando em jovens de talento, o RB Leipzig chega à Bundesliga com uma única meta, se manter na primeira divisão. E de uma maneira surpreendente a equipe termina sua primeira jornada na divisão principal da Alemanha na segunda posição, garantindo pela primeira vez em sua história uma vaga na Champions League.

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Com nomes muito interessantes em seu elenco como Forsberg, Sabitzer e Werner, a equipe busca se tornar um dos grandes clubes da Alemanha, mas o fator mais importante que o RB Leipzig está fazendo é a colocação da antiga Alemanha Oriental no mapa do futebol no país, dando alegria para o povo da região e sendo um exemplo para os times locais tentarem se reerguer.

Texto: Guilherme Vechiato

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