Futebol fora de mídia #14 – A Copa dos muçulmanos, dos nórdicos e da África Branca

(Montagem: HTE Sports/Gui Simplício)

A Copa do Mundo na Rússia já está marcada por ter seleções gigantes fora dela, como Itália e Holanda, e por ter gratos estreantes, como Islândia e Panamá. Ao todo, das 32 seleções que estarão na próxima Copa, 12 não estiveram no Brasil em 2014: Arábia Saudita, Egito, Senegal, Panamá, Sérvia, Polônia, Islândia, Marrocos, Tunísia, Suécia, Dinamarca e Peru.

Além de já estar marcada por estes números e fatos incomuns, a Copa de 2018 contará com recordes envolvendo países árabes, do norte europeu e africanos.

Copa dos muçulmanos

A Rússia vai ser o lar de milhões e milhões de muçulmanos no ano que vem. Com essa população nunca tão em cheque como atualmente, por conta dos radicais do Estado Islâmico, refugiados e guerras civis, o futebol, como esporte pacificador que é, traz algo bonito para essas pessoas que tem o islamismo como religião.

Serão, ao todo, sete países com populações majoritariamente muçulmanas. São 99,4% no Irã; 99,1% na Tunísia; 99% em Marrocos; 95% em Senegal; 90% no Egito e na Arábia Saudita; e 50% na Nigéria. Somados são mais de 400 milhões de muçulmanos.

Isso não inibiu o EI de fazer vídeos e lançar imagens com os rostos de Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo ameaçando os futebolistas e fãs do esporte que acompanharão a Copa do Mundo na Rússia em 2018. Mesmo com a Síria quase “pacificada”, há outros radicais em outras partes do mundo, mas a segurança russa garante que está bem preparada.

Copa dos nórdicos

Mais um dos grandes feitos para a Copa do Mundo é o recorde de países nórdicos que estarão na Rússia no ano que vem.

A Islândia conseguiu grande feito na Eurocopa passada e seguiu o momento conquistando a vaga inédita para a Copa do Mundo. A grande conquista veio com muito investimento e trabalho bem feito, estimulando jogadores a defenderem o seu país. Será uma das grandes atrações na Rússia, com sua torcida e suas comemorações diferenciadas. Para ir à sua primeira Copa, passaram por tradicionais seleções, como a Croácia, que havia eliminado a mesma Islândia na repescagem para o Mundial de 2014, e também a Ucrânia e a Turquia.

Com a vitória heroica sobre a Itália, os suecos voltam a uma Copa após terem falhado nas duas últimas edições. Na repescagem para 2014, perdeu para Portugal em um épico embate entre Ibrahimovic e Cristiano Ronaldo. Com Ibra aposentado da seleção, a Suécia precisou mudar um pouco o estilo de jogo e isso fez muito bem pra ela. Marcus Berg assumiu o papel de artilheiro e contou com a parceria de Toivonen e também da atual estrela do time Emil Forsberg, do RB Leipzig. Apesar de ter um time muito chato de se jogar contra, as campeãs mundiais França, Itália e Holanda que o digam, dificilmente repetirá os terceiros lugares em 1950 e 1994, ou muito menos a grande campanha do vice-campeonato em 1958, quando jogou em casa.

A Dinamarca conseguiu, comandada pelo majestoso Christian Eriksen, autor de três gols no jogo,  passar pela Irlanda e sua torcida no Aviva Stadium, garantindo assim a última vaga europeia para a Copa.  A boa safra, que além de Eriksen conta com Andreas Christiansen (Chelsea), Kasper Dolberg (Ajax), Yussuf Poulsen (RB Leipzig), Thomas Delaney (Werder Bremen), Pione Sisto (Celta de Vigo) e Nicolai Jorgensen (Feyenoord), para não citar outros bons nomes da seleção. O grande desempenho dos comandados pelo norueguês Age Hareide, que há poucos anos colocou o Malmö FF de volta a uma Liga dos Campeões após muito tempo, trouxe de volta o apelido de “Dinamáquina”, alcunha da forte equipe do fim dos anos 80 e nos anos 90, com títulos de Eurocopa (1992) e Copa das Confederações (1995).

É a primeira vez na história que uma Copa do Mundo tem três seleções nórdicas.

Copa da África Branca

Pela primeira vez desde que o continente africano tem mais de uma vaga para a maior competição de futebol do mundo que o norte-africano, ou a “África Branca”, terá mais representantes na competição do que a região Subsaariana, ou a “África Negra”. Das cinco vagas, três foram destinadas aos países setentrionais do continente: Egito, Marrocos e Tunísia.

Egito

Os egípcios voltaram a uma Copa do Mundo após 28 anos. O herói da classificação foi o artilheiro do Liverpool na temporada Mohamed Salah, que marcou os gols da vitória sobre o Congo no jogo que colocou o país na Rússia em 2018. Cálculos rápidos e a última Copa do Egito foi a de 1990, na Itália. A seleção caiu em um grupo equilibrado porém difícil, com Inglaterra, Irlanda e Holanda. Curiosamente, esta edição marcou o retorno do país após 56 anos, o dobro que o tabu atual, sem conseguir se classificar.

O Egito não passou da fase de grupos. O campeão daquela Copa foi a Alemanha Ocidental, em uma época de craques do futebol internacional, como Gary Lineker, Lothar Matthaus, Jurgen Klinsmann, Van Basten, Frank Rijkaard, Ronald Koeman, Maradona e outros tantos.

26 anos depois, Salah e cia têm a oportunidade de fazer a melhor participação do Egito em uma Copa do Mundo, a sua terceira, e entrar ainda mais na história do futebol egípcio.

Marrocos

Sem sofrer NENHUM gol nas Eliminatórias, a seleção marroquina voltará a disputar uma Copa do Mundo após 20 anos. Com nomes conhecidos, como do zagueiro e capitão Medhi Benatia, da Juventus; do lateral-direito Nabil Dirar, do Fenerbahçe; do meia Belhanda, do Galatasaray, e Amrabat, do Watford, este outro país do norte africano se classificou batendo a Costa do Marfim, que participou das três últimas edições da competição.

Essa será a quinta Copa da seleção de Marrocos. A última foi a de 1998, na França, e o país caiu bem no grupo do Brasil, que acabou terminando como vice-campeão, perdendo para os anfitriões. Apesar de boa campanha, os marroquinos não passaram da fase de grupos, ficando com um ponto a menos que a Noruega (2ª colocada) e dois a menos que a seleção brasileira (1ª colocada).

A melhor campanha marroquina em Copa do Mundo foi na de 1986, que passou como líder em um grupo com Inglaterra, Polônia e Portugal. Acabou sendo eliminada pela Alemanha Ocidental, vice-campeã após perder por 3 a 2 para a Argentina.

Tunísia

O menor dos tabus. A última Copa da Tunísia foi a de 2006, a sua terceira em sequência, na Alemanha, que viu o tetracampeonato da Itália, time que pela primeira vez em 60 anos estará de fora da competição em que é a segunda maior vencedora, ao lado dos alemães. Naquele ano, os tunisianos cairam no grupo com Espanha, que terminou a fase na liderança, Ucrânia, 2ª colocada, e Arábia Saudita.

Sua melhor campanha foi na primeira Copa em que participou. Em um grupo com Polônia, Alemanha e México, as “Águias” conseguiram três pontos, nada suficiente para passar de fase, mas sim para se tornar a primeira seleção africana a vencer uma partida de Copa do Mundo ao bater o México por 3 a 1, em pleno Gigante de Arroyito, estádio do Rosário Central.

Hoje o seu jogador mais conhecido provavelmente seja o zagueiro Abdennour, que atua no Valencia.

A Copa da Rússia já tem um tom especial. A torcida agora é pra que ela chegue logo!

Vem ni mim, Copinha!

Lucas Tinoco

21 anos, baiano e aspirante a jornalista esportivo. Fanático por esportes em geral, principalmente futebol. Adepto das ligas europeias e do futebol alternativo. Líder do Editorial de Futebol Internacional do HTE Sports.

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