O futebol do nordeste precisa mudar

É notório que com o passar dos anos o futebol mudou em todos os aspectos. Não dá mais pra viver como na era romântica das épocas dos nossos pais, avós e tios, onde se existia amor a camisa, seriedade e também quando não se exigia uma estrutura para a pratica desportiva. No entanto, neste século XXI, os times não somente tem a característica de ser essencialmente clube de futebol, mas sim empresas que administram diversos setores como marketing, comunicação, TI, nutrição, departamento jurídico, gestão das divisões de base, enfim é algo muito complexo.

Porém em algumas agremiações da região nordeste do Brasil, parece que os dirigentes não se importam ou agem de má fase quando o assunto é gerir um time, fazer dele um elenco competitivo, aumentar números de sócios, captação de receitas. Acham que um conto de fadas e que nada disso é preciso para fazer do seu clube um campeão e dar alegrias ao seu torcedor. Analisando friamente desde que foi implantado o modelo de ponto corridos em 2003, poucos nordestinos fizeram sucesso e almejaram um título, uma classificação para Libertadores ou Sul-Americana , porque o que percebe-se é estarem fadados ao rebaixamento, por não terem fôlego para uma competição de 38 rodadas enfrentando as grandes potências do eixo sul-sudeste.

Recentemente o Santa Cruz virou o maior campeão em rebaixamentos ao superar o América-RN. Com a queda para série C em 2018, a “Cobra Coral” como é conhecido em Recife acumulando sete descensos, se contabilizar todas as divisões no qual ele participou e é um roteiro muito conhecido na sua história. Ao todo foram cinco na série A (1988,1993,2001,2006 e 2016) e o outro foi na série B (2007). Outros clubes também amargando esse rótulo como por exemplo o Náutico, Vitória, Paysandu e Fortaleza, a cada um com 6 rebaixamentos. Além do Bahia que já foi rebaixado em 4 oportunidades.

É claro que existem várias situações para tamanho fracasso. As cotas de TV são uma delas. Uma vez que a má distribuição entre os clubes da primeira divisão apresentam um verdadeiro abismo , onde favorecem aqueles trazem audiência em outras praças, inclusive no nordeste. A outra é manter a folha de pagamento em dia. Tomando como exemplo no Santa Cruz e no Náutico nesta temporada , onde até os funcionários estavam sem receber. Será que a diretoria faz um trabalho pro clube ou pra orgulho próprio? Até quando vão jogar o planejamento do ano inteiro no ralo?

Precisamos acordar. Mudar essa triste realidade que assola a nossa região. Só da paixão do torcedor não é suficiente para levar um clube adiante. É entender em que terreno está o seu negócio. A melhor maneira para se conseguir os objetivos é o comprometimento firmemente com o clube e do fundo do coração. Até porque como diz Ferran Soriano, a bola não entra por acaso.

Curtas:

– Se o Sport for rebaixado para a segunda divisão, ele para na sequência de três temporadas consecutivas na elite (2014 a 2017). Além disso se o Vitória também não permanecer, ao que indica só teremos dois clubes do nordeste em 2018 na série A: Bahia e Ceará.

–  Em 2015 tivemos APENAS o Sport como representante do futebol nordestino.

– É claro que o modelo de campeonato nada favorece aos clubes da nossa região. O Bahia que é bi-campeoão brasileiro conquistou seus dois principais títulos no mata-mata em 1959 e 1988. Seu rival Vitória chegou a decisão do nacional em 1993 e na Copa do Brasil em 2010 da mesma forma, e o Sport campeão em 2008 ao bater o Corinthians, não foi diferente. Paremos pra refletir.

Lucas Cezar

Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória.

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