Os dois lados da moeda

Nós sabemos que a moeda possui dois lados. A cara e coroa que definem em uma partida de futebol o lado do campo em que uma equipe vai atacar e a outra ficará com a posse da bola para dar início ao jogo. No caso de Bahia e Vitória, o destino dos nossos representantes na série A é bem simples de definir : A humildade. O tricolor errou bastante enquanto buscava no mercado um substituto para Guto Ferreira. Trouxe Jorginho e os resultados não vieram, e o ex-lateral da Seleção Brasileira foi demitido após a derrota para o Sport na Fonte Nova por 3 a 1.

Prontamente a diretoria encontrou em Preto Casagrande, um funcionário da casa, uma possível solução para o futuro do Esquadrão. Ledo engano. Mesmo com o aval do elenco,a inexperiência foi preponderante , junto com a bronca da torcida e a crítica da imprensa, chegou a hora de trocar de comando.

Deu tempo. Com toda sua bagagem e títulos importantes, o nome de Paulo César Carpegiani desembarca no Fazendão com a missão de livrar o tricolor do rebaixamento. A partir da 27ª rodada do Campeonato Brasileiro, no empate por 2 a 2 contra o Palmeiras, o nível de aproveitamento subiu para 43%, além da confiança dos aficionados e dos próprios jogadores. São seis jogos na era “Carpé” , foram três triunfos, dois empates e apenas uma derrota.

O Bahia com Carpegiani mudou a postura de jogo. É um time que gosta de ter a bola, tem vocação para vencer seus adversários, ocupa muito bem os espaços, marcação alta e se preocupa com o posicionamento em campo. Isto são frutos de tudo que é trabalhado no dia a dia. Até como visitante, o tricolor se impõe e dificulta a vida até de quem ganha dele, a exemplo da partida contra o Flamengo, vencida pelos cariocas por 4 a 1. Apesar do placar elástico,quem teve posse de bola foi o derrotado.

Após o triunfo sobre a Ponte Preta no último domingo (5), as pretensões mudaram. Hoje já se falam em chances de almejar uma vaga na Copa Sul-Americana que é de 70% e o sonho maior de participar da próxima edição de Libertadores, onde a probabilidade é de 5,6% segundo os matemáticos da UFMG. Classificando ou não para um das competições, o trabalho de Carpegiani já o credencia para uma permanência em 2018.

Se a parte tricolor da capital baiana vive feliz, os rubro-negros não tem tido sono tão leves assim. O Vitória vive uma sina de não conseguir vencer em seus domínios. O Barradão desde que foi inaugurado em 1986 sempre foi um aliado e fazia os adversários terem medo de enfrentar o Leão baiano. Mas acredito que a culpa não é do santuário rubro-negro e sim da incompetência da diretoria no planejamento do ano até aqui. Foram sucessivas trocas de treinador, jogadores sem condições alguma de atuar, dirigentes sem noção do que é gerir um clube de futebol. Enfim são tantos erros que chega cansar.

O último resultado positivo em casa foi no dia 2 de agosto contra a Ponte Preta ( olha ela aqui) por 3 a 1. Por conta disso, o Vitória habita a zona de rebaixamento em 17º colocado com 35 pontos ganhos. A nova chance de respirar na tabela será nesta quarta-feira onde recebe o Palmeiras. Os rubro-negros colocam sua esperança por um fio, já que a sequência em tese não ajuda, mas cabe os jogadores terem respeito pela camisa que vestem e terem compaixão pelo torcedor que vem sofrendo a cada jogo.

E já dizia o poeta : A humildade é a essência da vida. O Bahia escutou isso, aprendeu e mudou enquanto teve chance. Já o Vitória paga pela soberba e vê a série B uma realidade iminente. Que nessa terra de todos os santos nos dê um fim de ano um pouco melhor.

Lucas Cezar

Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória.

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