Os duelos entre Brasil e Argentina nas finais da Libertadores

(Foto: Divulgação)

Amanhã, 22/11, inicia a 14ª final de Libertadores entre clubes brasileiros e argentinos na história da competição. E até aqui vem sendo uma lavada dos hermanos. Nas 13 finais, 9 vitórias argentinas e 4 brasileiras. Porém, a última vez em que a maior rivalidade da América do Sul disputou o título, a taça ficou com os brasileiros, em 2012, com o Corinthians vencendo o Boca Juniors.

Boca que aliás é o maior algoz brasileiro nas decisões. Além do Corinthians, perdeu somente para o Santos de Pelé a grande final, derrotando Cruzeiro, Palmeiras, Santos e o próprio Grêmio. O Grêmio chega a sua quinta decisão, tendo vencido duas e perdido outras duas. O Lanús debuta em finais de Libertadores.

Vamos então lembrar todos os confrontos Brasil x Argentina na decisão do maior campeonato interclubes da América.

1963 – Santos x Boca Juniors

O inesquecível time de Pelé e Coutinho chegava a segunda final de Libertadores consecutiva em busca do bi-campeonato. O primeiro jogo da decisão foi disputado no Maracanã com mais 63 mil torcedores que viram o Santos vencer por 3 a 2, com dois gols de Coutinho e um de Lima. Na partida de volta, em La Bombonera, nova vitória santista, dessa vez por 2 a 1, com gols de Pelé e Coutinho, e nova conquista da América.

 

1968 – Estudiantes x Palmeiras

Verón pai também foi carrasco de brasileiros. O Palmeiras dominava o cenário nacional no final da década de 60, mas na final da Libertadores de 1968 não conseguiu superar o Estudiantes de la Plata, do pai de Juan Sebastian Verón, que mais tarde viria a ganhar de outro clube brasileiro. Disputada em 3 jogos, o Palmeiras perdeu o primeiro na Argentina por 2×0. Venceu o jogo de volta no Pacaembú por 3×1, com gols de Tupãzinho (2) e Rinaldo, mas perdeu novamente na partida de desempate, disputada em Montevidéu, por 2×1. Verón pai marcou um dos gols do Estudiantes.

1974 – Independiente x São Paulo

O São Paulo foi uma das vitimas do maior campeão da América (até hoje, pelo menos), o Independiente de Avallaneda, detentor de 7 títulos da Libertadores. Comandados por José Poy e tendo em campo jogadores do quilate de Waldir Peres e Pedro Rocha, o tricolor paulista foi superado em três jogos. O primeiro, no Pacaembu, vitória por 2×1, gols de Pedro Rocha e Mirandinha. Mas as derrotas por 2×0 na Argentina e 1×0 no terceiro jogo, em Santiago, atrasaram o sonho de uma conquista da Libertadores pelos são-paulinos.

1976 – Cruzeiro x River Plate

O River Plate naquele ano tinha um verdadeiro esquadrão, com Filiol, Perfumo, Sabella, Gonzáles, Luque e Más. Mas o Cruzeiro também tinha um belo time, com Raul no gol além de Nelinho, Piazza, Jairzinho e Palhinha. Goleada no Mineirão no primeiro jogo, por 4×1, gols de Nelinho, Palhinha (2) e Valdo. Derrota por 2×1 no jogo de volta no Monumental de Nuñez e vitória suada e heroica por 3×2 no jogo de desempate em Santiago, com gols de Nelinho, Eduardo e Joãozinho deram o primeiro título da Libertadores para o Cruzeiro.

1977 – Boca Juniors x Cruzeiro 

E, na tentativa do bi-campeonato, o Cruzeiro foi a primeira vítima brasileira do Boca Juniors. Com a mesma base do ano anterior, não conseguiu superar a equipe argentina. Também em 3 jogos, o Cruzeiro perdeu a primeira na Argentina por 1×0, venceu no Mineirão pelo mesmo placar, mas no jogo de desempate, em Montevidéu, empatou no tempo normal e perdeu nas penalidades por 5×4.

1984 – Independiente x Grêmio

O Grêmio foi mais uma das vítimas do Independiente. Depois de ter sido campeão em 1983, o Grêmio chegava a decisão para buscar o bi-campeonato continental. Mas parou em Burrochaga, que seria peã importante também no título da Copa do Mundo dos hermanos em 1986. 1×0 na Argentina, gol de Burrochaga, e 0x0 no Olímpico decretaram o título dos argentinos.

1992 – São Paulo x Newell’s Old Boys

Conquista que basicamente formou a torcida são-paulina como ela é hoje, o São Paulo do Mestre Telê Santana e de Zetti, Raí, Cafú, Palhina entre outros jogadores que marcaram a época mais vitoriosa do clube sofreram um bocado para vencer sua primeira Libertadores. 1×0 no primeiro jogo na Argentina, 1×0, gol de Raí no Morumbi abarrotado e a decisão foi para as penalidades máximas. E na quinta cobrança dos argentinos, Gamboa parou nas mãos de Zetti para uma invasão que jamis se viu igual no Morumbi e o primeiro título do tricolor paulista na Libertadores da América.

1994 – Velez Sarsfield x São Paulo 

Já sem Raí, a história quase se repetiu em 1994. Mas o São Paulo acabou por ser a primeira vítima do treinador Carlos Bianchi, que conquistaria títulos e eliminaria muitos brasileiros com o Boca Juniors nos anos 2000. 1×0 para o Velez na Argentina, e mesmo placar no Morumbi, gol de Muller, na volta. Nas penalidades dessa vez não deu para Zetti. Todas as cinco dos argentinos foram convertidas com precisão, incluindo uma do goleiro Chilavert. Palhina errou para os são-paulinos e o sonho do tri foi adiado.

2000 – Boca Juniors x Palmeiras

O Boca Juniors nos anos 2000 foi o verdadeiro senhor Libertadores. 5 dos 6 títulos da equipe argentina ocorreu nessa década, sendo 4 sobre brasileiros ( 1 sobre o Cruz Azul do México). E o Palmeiras foi a primeira vítima. Com o elenco remodelado da conquista do ano anterior, mas com Marcos santificado, o Palmeiras chegou a decisão contra o Boca com esperança do bi-campeonato. Mas parou na arbitragem na Argentina e nas penalidades no Morumbi.

2003 – Boca Juniors x Santos

Enquanto o Santos de Robinho e Diego encantava no Brasil, o Boca Juniors de Biachi e Tevez mostrava como se ganhar uma Libertadores da América. Se Robinho foi aplaudido de pé em Cali na fase de grupos, Tevez dançou a cumbia para cima dos santistas e não deu chances para os brasileiros. Vitórias por 2×0 e 3×1 no Morumbi não deixavam dúvidas de quem era o Rei das Américas naquele momento.

 

2007 – Boca Juniors x Grêmio

Outro personagem que aniquilou brasileiros pelo Boca Juniors foi o meia Juan Román Riquelme. O camisa 10 do Boca Juniors desfilou em campo nos dois jogos que deram placar agregado de 5×0 para os argentinos contra um bom Grêmio de Mano Menezes, Diego Souza, Tcheco e Carlos Eduardo. Foi a última participação do Grêmio na final da Libertadores e o último título do Boca Juniors sobre brasileiros na Libertadores da América.

2007 – Estudiantes x Cruzeiro

A família Verón é pródiga em produzir jogadores campeões da Libertadores pelo Estudiantes. Juan Sebastian Verón, aos 38 anos, foi o grande nome da conquista da equipe argentina sobre o Cruzeiro em 2008. Após empate em 0x0 na Argentina, o Cruzeiro abriu o placar no Mineirão, com Henrique. Mas Verón dominava o meio campo, com toda sua experiência comandou a virada para 2×1 para o primeiro dos “Mineiraço”.

2012 – Corinthians x Boca Juniors

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Os corintianos já estavam cansados de serem vítimas da piada de não terem Libertadores e fizeram uma campanha perfeita. De forma invicta e passando por Vasco e Santos, antes da final contra o papão de brasileiros Boca Juniors, o Corinthians conquistou seu primeiro título de maneira incontestável. Na ida, Romarinho, mesmo sem saber o que estava acontecendo, fez o gol do empate em 1×1. Na volta, o Pacaembu explodiu com os dois gols de Emerson Sheik e o primeiro título da Libertadores pelo Timão.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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