Quando Brian O’Driscoll desceu à Terra

Os Irlandeses não sabiam e nunca poderiam imaginar que o dia 19 de Março de 2000 mudaria suas vidas

Depois de 28 anos sem vencer em Paris, a Irlanda vinha para mais uma partida de Six Nations despretensiosamente e sem muitas esperanças, mas algo estava diferente naquele ano: uma equipe destemida, muito devido à juventude e à baixa média etária, que mais tarde seria conhecida como a “Geração de Ouro”, com Brian O’Driscoll liderando a seleção do trevo de quatro folhas.

Não só veio a vitória por 27-25, como também brilhou um garoto que mostrou-se ao mundo com seus 21 anos de idade. Como todo grupo jovem, os frutos só foram colhidos nove anos depois em forma de Grand Slam(assim como a seleção alemã de futebol vendeu a FIFA WC 2014 após mais de dez anos de entrosamento entre seus pilares Schweinsteiger, Lahm, Müller e Hummels), ou seja, vencendo todo mundo, mas voltando a esta partida, Brian O’Driscoll marcou três tries – uma pintura presente em 9 entre 10 compilados de tries mais bonitos da história do rugby mundial.

Antes desta vitória em 2000, a Irlanda havia vencido a França fora de casa por 14-9 em 1972 e não havia vencido a mesma França em qualquer terreno desde 1983. O lendário scrum-half Peter Stringer, que jogara somente duas vezes pela sua seleção até então, se mostrou muito confiante para esta partida, afirmando que a França havia entrado de salto-alto, por causa desta invencibilidade de décadas e décadas. Não foi o que aconteceu, mas o jogo foi mais ou menos assim:

O primeiro try do garoto BOD veio após dois penais franceses com Gérald Merceron. A França veio com tudo e fez um try com Christophe Laussucq, deixando a partida em 13-7 para tranquilizar os Bleus no fim do primeiro tempo, o que não poderia ter ficado melhor com um penal de Merceron no fim do primeiro tempo.

No início do segundo tempo quase que a Irlanda deixa o jogo escapar quando o hooker francês Marc dal Maso escapa de um pouco depois da linha de 10m do ataque e quase entra com bola e tudo pro try que poderia ser decisivo, mesmo no início da etapa final.

Para tranquilizar os Bleus, Merceron guardou mais um penal, deixando o jogo em 16-7, correspondido por mais um try do garoto BOD após Henderson furar a linha e fazer um ótimo offload e outros penais do também garoto Ronan O’Gara, que trocou mais alguns com Merceron.

Daí BOD ficou endiabrado e resolveu acabar de vez com o jogo, fazendo um dos tries mais emblemáticos da história do rugby. Após algumas fases verdes e uma penalidade onde foi aproveitada a lei da vantagem, recolheu a bola do chão de forma majestosa, furando em seguida a linha rasa francesa como se não houvesse resistência e apoiou a bola entre os postes sem nenhum problema.

Fim de jogo, fim de tabu onde nascia um gigante do rugby mundial que nunca precisou de uma Copa do Mundo para ser reconhecido como tal(até porque até 2000 somente 3 seleções haviam vencido a RWC: 1987 All Blacks, 1991 Austrália, 1995 África do Sul e 1999 Austrália).

Abaixo seguem os tries do nosso querido Brian O’Driscoll, que encerrou sua carreira profissional em 2014 após 3 Heineken Cup, 3 tours dos British and Irish Lions e muitos títulos individuais.

 

Vinícius Guedes

Administrador de Empresas pela UFRRJ, Segurança Privado, Árbitro de Rugby pela RioRefs, jogador pelo Itaguaí Rugby. Gosta de esportes, filmes, séries e muita música.

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