CLUBE DA FÉ #109 – Obrigado, “El Dios” Lugano

(Foto: GloboEsporte.com)

Há pouco mais de 10 anos minha mãe me ligava no trabalho contando que meu irmão, Rafael, tinha dado a notícia que estava esperando junto de sua esposa seu primeiro filho. Meu irmão talvez tenha sido meu maior influenciador para que eu me tornasse são-paulino, já na minha infância, uma vez que nosso pai é palmeirense. Carinhosamente, mandei uma mensagem parabenizando-o “Ae Jaca, parabéns pelo jaquinha”. Mais carinhosamente ainda, ele respondeu: “Valeu Besta. Vai se chamar Lugano Ceni Pizzo Parpinelli”. Era virada do ano de 2006 para 2007, Lugano já tinha se transferido do São Paulo, mas a idolatria já tinha tomado conta, tanto nossa como da torcida do São Paulo. Apenas por curiosidade, nasceu uma menina, que se chama Luisa.

Diego Lugano demorou a jogar no São Paulo. Contratado em 2003 sem anuência da comissão técnica, chegou com o título de jogador do presidente, a época Marcelo Portugal Gouvêa. Mas, como relatado no livro “Tricolor Celeste” de Luís Augusto Símon, o zagueiro uruguaio jamais abaixou a cabeça. Mesmo sem ser relacionado, treinava mais que todos no elenco, muitas vezes em campos separados, aprimorando principalmente a parte técnica. Esperou pacientemente sua oportunidade de jogar. Conseguiu a sequencia e titularidade no segundo semestre de 2004, principalmente com a utilização de 3 zagueiros no esquema tático do São Paulo multi-campeão que começava a se formar.

Porém, Lugano foi mais que simples zagueiro. O São Paulo começava o ano de 2005 sob desconfiança da torcida pelas inúmeras vezes que chegava, mas ficava no meio do caminho dos títulos nos anos anteriores. A principal torcida organizada não se cansava de chamar o elenco de pipoqueiro. Talvez, a famosa raça uruguaia, que tinha trazido outras tantas conquistas com Forlán, Pedro Rocha e Daryo Pereyra era o que faltava para transformar aquela equipe. E Lugano, mesmo sem ser tão habilidoso como foram os três citados em suas devidas posições, tinha essa paixão celeste no sangue. O time de pipoqueiros virou time de guerreiros e os títulos vieram. Naquele ano, Paulista, Libertadores e Mundial, com direito a carrinho salvador de Lugano na final contra o Liverpool. Chegamos novamente a final da Libertadores em 2006, mas ficamos com o vice e Lugano foi para a Europa, mas nunca esqueceu-se do São Paulo. Em 2010, na Copa do Mundo da África, há a imagem dele na concentração uruguaia tomando água na garrafinha com o símbolo do São Paulo.

Disse inúmeras vezes que no Brasil só jogaria no nosso tricolor. Demorou, mas a volta veio justamente quando nos despedimos de outro ídolo e provavelmente seu maior amigo dentro do São Paulo, Rogério Ceni. Na despedida do goleiro, a torcida pediu com um coro absurdo a volta de Lugano que não tinha como não ser atendida. Infelizmente, as condições físicas (e opções de alguns treinadores, diga-se) fizeram com que essa passagem não fosse tão relevante em campo quanto a primeira. Mas fora dele, Lugano foi um exemplo e só fez a idolatria aumentar. Em nenhum momento o vimos reclamar ou questionar qualquer coisa. Também não usou do prestígio para com a torcida para forçar qualquer situação. Foi, sem dúvida, mais são-paulino que qualquer um dos dirigentes que comandou o futebol tricolor nesses últimos dois anos. Foi mais importante para o elenco que qualquer coordenador ou auxiliar técnico que esteve lá. Sentia as derrotas. Mesmo não sendo relacionado, estava nos jogos como um torcedor de arquibancada, por conta própria.

Porque ídolo não se faz apenas pelos gols, defesas, carrinhos e títulos. Ídolos se fazem por atitudes, representatividade, respeito e amor a mesma camisa que nós torcedores temos. É por isso que meu irmão pensou em dar o nome de Lugano ao seu filho. E que muitos são paulinos  fizeram. Lugano sempre será respeitado como um dos maiores ídolos do São Paulo e símbolo da última geração vitoriosa do nosso tricolor (última até hoje). Está na minha seleção dos maiores que vi jogar com a camisa do São Paulo. E fará falta, pelo empenho, dedicação e amor demonstrado. EEEEOOOOO, O LUGANO É UM TERROR!!! EEEEEOOOOOO, O LUGANO É UM TERROR!

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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