Parar para refletir

Chegamos ao término do Campeonato Brasileiro de 2017. Foram ao todo 38 rodadas com muita emoção e bola na rede. Houveram também erros de arbitragem. Uma briga até o final para quem iria para a Série B e um sonho de retornar à disputa da Taça Libertadores da América. Foi assim o roteiro de Bahia e Vitória na elite do nosso futebol.

Para o tricolor, um sonho que virou ilusão. Não podemos aqui dizer que o Bahia a todo momento desde a primeira rodada mirava a Libertadores. A meta principal era não cair. E felizmente a pontuação atingida foi conseguida muito cedo e a partir daí a ambição do Esquadrão era por voos maiores. A diretoria errou nas peças de reposição do elenco. Manteve a espinha dorsal da temporada 2016. Escolheu de forma equivocada o técnico Jorginho para comandar o time e não deu certo. Se esperávamos uma postura diferente, nos enganamos e veio Preto Casagrande sem experiência alguma para assumir uma missão arriscada com chancela do elenco. Os números mostravam a ineficiência do seu trabalho e foi substituído pelo renomado Paulo Cézar Carpegiani.

Nesse hiato entre Guto Ferreira e Carpegiani, o Bahia perdeu muitos pontos. Namorou com a zona de rebaixamento, mas sabendo que ela não era condizente a tua grandeza, a equipe pode se recuperar e ver seu nome tão falado na mídia esportiva na região sul e sudeste. Carpegiani mudou o conceito de jogo, o time gostava da bola, deixava o adversário refém do seu esquema tático e peitou os grandes do eixo. A torcida acreditou e jogou com seu clube principalmente na Fonte Nova e concluiu como 6º melhor mandante resultando em 59,6% de aproveitamento.

Apesar da parte positiva no seu trabalho, percebeu no time um certo relaxamento. Cito o exemplo de um aluno que passou de ano antes do final do ano e sequer estudava para as provas restantes. Foi o Bahia após atingir seu objetivo. A apatia tomou conta dos jogadores e em Recife o Sport um velho freguês no histórico de confrontos venceu o tricolor por 1 a 0. Desmotivou a Nação , mas tinha uma última chance contra a Chapecoense em seus domínios. E o que aconteceu?. Pois bem, um gude preso e a classificação para a sonhada Libertadores foi pro ralo a baixo. Por fim o Bahia fez a melhor campanha na era dos pontos corridos em 12º colocado com 50 pontos e fará sua quinta participação na Copa Sul-Americana.

E o Vitória minha gente?. Até a última rodada com um relacionamento sério quase virando casamento com a zona de rebaixamento. Em um Barradão lotado, o Leão precisava vencer a qualquer custo e dependia apenas de suas forças, saiu derrotado por 2 a 1 diante do Flamengo e naquela condição precisava de uma combinação de resultado para desquitar do Z-4. Eis que aparece a Chapecoense com o gol de Túlio de Melo para salvar o rubro-negro baiano da segundona. Foi um alívio e teremos quatro clubes do nordeste na primeira divisão em 2018. Marco histórico!

Agora fazendo um raio-x, o planejamento do Vitória foi muito equivocado. No começo do ano trouxe vários jogadores sem condições de atuar no ponto de vista clínico e com o futebol bastante questionável como por exemplo : Alan Costa, Geferson, Pineda e Fred. Esses três primeiros vieram pra Toca a pedido do ex-técnico Argel Fucks. A única parte boa foi a conquista do Baianão invicto, pois ainda no primeiro semestre foi eliminado da Copa do Nordeste pelo rival Bahia. Na Copa do Brasil caiu diante do Paraná até então um time de Série B. E o pior estava por vir.

Dedico a esse parágrafo ao pífio rendimento do Leão atuando como mandante. “ O santuário “ como é chamado o Manoel Barradas não intimidava a ninguém. Enquanto a equipe vencia longe de Salvador, aqui na capital baiana os pontos iam pro bolso do adversário. Por sorte na chamada final contra a Ponte Preta na 37ª rodada em Campinas veio o triunfo que praticamente selou a participação do Vitória no Brasileirão. Tem muito a ser refletido e aprender com os erros no qual foram muitos e fazer do novo ano cheio de alegrias para essa torcida que sofreu muito nessa campanha tão improdutiva. O Vitória terminou a competição em 15º colocado com 43 pontos ganhos e sequer almejou uma hipotética ida para Copa Sul-Americana. Foi bizarro demais.

Fica a esperança de uma temporada mais tranquila. Afinal nossos representantes virão com novas gestões e estas precisam visar apenas o clube e não o seu ego particular. É parar para refletir, ser audacioso e se permitir buscar objetivos maiores dentro das próximas competições. Afinal , somos grandes.

Curtas:

O Vitória teve no total cinco treinadores : Argel Fucks, Wesley Carvalho, Deján Petkovic , Alexandre Gallo e Vagner Mancini. E pra que o planejamento né?!

– Além disso a gestão de Ivã de Almeida foi um fracasso total. O clube terminou endividado com brigas internas na diretoria, muita confusão e pouco trabalho.

– No Bahia algumas contratações bastante equivocadas : Armero, Wellington Silva, Diego Rosa, Matheus Reis, Gustagol . Passou muito tempo sem um centroavante após a lesão de Hernane e apenas com um lateral-direito ao longo da temporada.

– Que bom a participação de quatro equipes do futebol nordestino no próximo Campeonato Brasileiro. Espero sinceramente um protagonismo de Bahia, Vitória, Ceará e Sport e não apenas façam uma mera participação. Repito, nós somos grandes!

Lucas Cezar

Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória.

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