Táticas Bahia – Um novo olhar sobre o estudo do futebol

Falar de tática no futebol é compreender como um modelo de jogo pode fazer sucesso ou não , da forma como ele é proposto pelos treinadores nos clubes por aí afora.  Nessa edição o HTE SPORTS bateu um papo com o Paulo Moraes que juntamente com Kaká Santos são os administradores do perfil Táticas Bahia no Twitter, onde tratam do plano tático do tricolor baiano em seus jogos. 

Como iniciou o táticas Bahia?

O Táticas Bahia surgiu em abril de 2017. sempre fomos apaixonados pela leitura do jogo como um todo, dos comportamentos coletivos e individuais dentro de uma partida de futebol, como analisar o que ocorre dentro de um jogo através dos números? onde nosso time possui maiores fragilidades? como nosso treinador pode corrigir? percebemos que a grande maioria não dava muito importância a parte tática ou tinha pouco acesso a esse material, fazíamos algumas ponderações nos nossos perfis pessoais no Twitter e após muitos pedidos e incentivos dos amigos resolvemos colocar esse projeto pra frente e tratar desse assunto tão importante no futebol atual.

 Vocês se inspiraram em algum site, livro, entrevista para o criar o próprio projeto?

Todo projeto necessita de referências e com o Táticas Bahia não foi diferente. Nossa curiosidade em entender mais sobre o jogo nos fez ter contato com sites de análises táticas, perfis nas redes sociais e canais no Youtube. Identificamos a oportunidade de criar um perfil voltado somente para análises táticas e scouts dos jogos do Bahia, já que ainda não havia algo do tipo. O feedback dos nosso seguidores tem sido muito positivo.

Porque falar de tática ? Qual a necessidade de tratar desse assunto?

O futebol moderno tem exigido cada vez mais competitividade, o que tem gerado a necessidade de estudá-lo com mais profundidade. Reflexo disso são os setores de análise de desempenho sendo disseminados nos clubes brasileiros. Claro, algo ainda embrionário, mas que já mostra uma mudança de mentalidade.

A partir disso, nós como estudantes nessa área, precisamos ir no mesmo caminho. Adquirir conhecimento e gerar conteúdo para debatermos o jogo com mais profundidade, além de ajudar a formar opiniões.

Todo trabalho ele precisa de um estudo. Qual ferramenta vocês escolheram para buscar esses dados?

É essencial ter embasamento nas informações que você traz a público a partir de um momento que você se torna um perfil formador de opinião. Tomamos bastante cuidado para oferecer o melhor conteúdo possível a nossos seguidores, para isso, resolvemos então nos qualificar.

 O 1° passo foi esse, começamos a estudar muito sobre o jogo, só nossa paixão por futebol não era mais suficiente, fizemos alguns cursos de Análise de jogo, Gestão técnica no futebol, Tática, temos acesso a um grande material que trazem com muita qualidade os aspectos que trazemos para nossos leitores, modelo de jogo, sistema de jogo e e etc, além disso estamos num processo de capacitação para Analistas de Desempenho, todos esses cursos são fornecidos pela Univeridade do Futebol. 

As ferramentas que utilizamos são bastante comuns nos departamentos de Análise dos clubes brasileiros. Hoje utilizamos alguns softwares que nos trazem com precisão os scouts do jogo, 

são eles: Footstats, WhoScored, Sqwhaka, SofaScore e o Wyscout.

Todas essas ferramentas nos auxiliam na montagem dos frames com as análises individuais e gerais de cada partida.

Vamos falar sobre a temporada do Bahia em 2017. Taticamente o tricolor se comportou de qual maneira? O que pode esperar para o ano 2018?

O Bahia em 2017 teve 4 treinadores. Guto Ferreira, Jorginho, Preto Casagrande e Carpegiani. Cada um com suas características.

Guto Ferreira iniciou o ano com um modelo de jogo mais propositivo e de posse de bola. Encontrou dificuldades na construção ofensiva pela pouca mobilidade na frente, o que tornava a equipe burocrática. Com a contusão de Hernane e a suspeção de Gustavo na reta final da Copa do Nordeste, ele se viu obrigado a colocar Edigar Junio, antes jogando como extremo esquerdo (em alguns momentos na direita também), como referência, o que deu mais leveza ao setor ofensivo, já que Edigar, por característica, tem mais mobilidade para buscar mais o jogo, associando-se com extremos, meio campistas e laterais. A partir daí a troca de posição no setor de ataque se tornou o ponto forte do time, além das rápidas transições ofensivas.

Defensivamente, o time se mostrava sólido. Tinha por característica, na transição defensiva, pressionar o adversário em seu campo. Na organização defensiva utilizava o modelo de marcação por zona, tendo como referência o espaço.

Com a ida de Guto Ferreira para o Internacional, o Bahia contratou Jorginho, que chegou tentando implantar um jogo de posse, sendo contruído com mais paciência, porém pecava na mobilidade na frente. Sem geração de espaço no ataque o time tinha uma posse de bola estéril. Na transição defensiva, o time utilizava os retornos rápidos para atrás da linha da bola. Na organização defensiva o modelo usado era o de marcação por encaixes no setor.

Com Preto Casagrande, o Bahia utilizava um modelo reativo. Se retraia em um 4-4-2 e tentava sair rápido, porém com trasições pouco sincronizadas e com tomadas de decisões bem ruins de alguns jogadores. Essa postura era vista, inclusive, jogando na Arena Fonte Nova. O modelo de marcação era o de encaixes por setor.

Já Carpegiani chegou dando um modelo mais ofensivo. Buscando jogar no campo do adversário, com a posse de bola e utilizando Edigar Junio novamente como referência, buscando dar, novamente, mais mobilidade no ataque e resgatando a troca de posições entre ele, os extremos e o meia central. A organização defensiva em muitos momentos deixou a desejar. Utulizando perseguições muito longas aos adversários, o sistema defensivo oferecia muito espaço para infiltração. Alguns gols sofridos aconteceram em decorrência disso.

Resumindo: Quatro treinadores utilizando princípios diferentes, o que prejudica na implantação, amadurecimento e consolidadação de um modelo de jogo e o que torna compreensível os percalços durante o Campeonato Brasileiro.

O Dade ( Departamento de Análise e Desempenho) é responsável por colher dados estatísticos das partidas do Bahia e também no que diz respeito ao processo de contratação de novos jogadores. Na sua opinião quais foram os pontos positivos e negativos desse setor no clube?

Admiro muito o trabalho feito pelo DADE, acho que é de suma importância o investimento no setor, os maiores clubes do mundo já entendem a importância de investir em tecnologia para auxiliar na performance dentro da partida.

Os pontos positivos sem dúvida foram as descobertas de bons valores para o clube: Zé Rafael e Juninho são os principais referenciais desse trabalho feito pelo departamento que não tem só como objetivo a captação de atletas e sim o estudo do adversário, de melhorar os aspectos do nosso jogo que estão em déficit, municiar a comissão técnica com informações que nos auxiliem a ganhar o jogo. Importante salientar que os departamentos de Análise não são isentos de erros, é uma ferramenta que se bem aplicada pode ajudar a minimizar os erros no departamento de futebol. 

Os pontos negativos: Acho que pode ser investido mais verba para ampliação do setor, consequentemente no aumento da equipe. Além disso, o DADE precisa ter maior poder de decisão no momento das contratações, é muito comum quando determinada prospecção de um atleta que não venha a performar como esperado se culpar o departamento, sem saber que essas contratações as vezes são aprovadas com o crivo do treinador, dirigente, sem o aval dos analistas.

Com o término da temporada, já começa o período de especulações. Vocês do Táticas Bahia já analisou algum jogador que seria útil ao tricolor? Qual ?

Já avaliamos sim. Lançamos no perfil as análises do Nino Paraíba e do Elton. Um volante e é um lateral direito que chegariam pra suprir ausências na restruturação do elenco pra 2018. Aproveito pra pedir pra galera dá uma conferida por lá. Risos

E sobre treinador. Acredito que vocês também analisam o mercado. Qual nome vocês indicariam para o Bahia? E sobre Carpegiani, o estilo de jogo agrada?

 Analisamos os perfis de treinadores sempre através de uma perspectiva de ideia de jogo. Sem deixar de levar em consideração a cultura do clube, perfil do elenco e o que a diretoria executiva pretende como modelo de jogo ideal.

Acreditamos em um perfil de treinador que utiliza os princípios modernos de jogo e que tenha preferência por uma filosofia propositiva. Mas, claro, tendo tempo para implantar suas ideias em todas as etapas da construção do seu modelo. Alberto Valentim é um jovem promissor e acreditamos que seria uma boa opção.

As equipes de Carpegiani tem um DNA ofensivo. O crescimento do Bahia com a sua chegada se deve, principalmente, a isso. A volta das rápidas transições ofensivas e a implantação de um jogo impositivo em casa (fora de casa o modelo muitas vezes mudou), ajudaram nesse crescimento. Defensivamente, a escolha por um modelo com persiguições exageradas, no nosso modo de ver, foi equivocada. Cedia bastante espaço para infiltrações do adversário.

Os nomes de Nino Paraíba, Elton, Luiz Antônio e Nilton foram especulados por aqui. Comente sobre cada um deles no quesito tático.

Vamos lá! 

O Nino Paraiba é um lateral de bastante força física, que tem muita velocidade e bom apoio ofensivo, em 2017 foi um dos laterais que mais efetuou cruzamentos na série A, ficando inclusive entre os melhores do campeonato. É um atleta importante pra se ter no esquema do Bahia, que gosta de transições rápidas e utiliza muito o lado direito do campo.

Elton é uma incógnita, é um volante que pode atuar nas duas faixas do centro, como construtor e como destruidor, tem bom passe e bom chute, as lesões que teve na carreira e sua instabilidade preocupam, tem nomes melhores no mercado, Elton seria classificação como jogador pra compor elenco.

Luiz Antonio foi um jogador que teve passagem regular pelo clube em 2016, não teve sua renovação encaminhada, esse ano atuou mais como um meia do que como volante tem qualidade na saída de jogo e capacidade de finalização, é outro nome que pode compor bem o elenco.

Nilton é um volante de 30 anos, com boa imposição física e facilidade pra chegar ao ataque, tem bom desarme, se destaca pelo bom jogo aéreo ofensivo e defensivo, além do poderoso chute de fora da área, as questões de adaptação por vir de uma liga de menor competitividade é fator que pesa contra.

Para finalizar, deixe um recado para a torcida do Bahia para conhecer o trabalho do táticas Bahia.

Esse trabalho é feito para o torcedor. Abordamos os jogos através de uma análise mais profunda para ajudá-lo a enxergar melhor as ações individuais e coletivas nas partidas, embasando as opinões.

É um trabalho feito com dedicação e humildade para, além de produzir conhecimento, aprendermos e evoluirmos juntos.

Nossas análises são feitas no nosso perfil do Twitter: @taticasbahia

Nos prestigiem e fiquem a vontade para elogios, críticas e sugestões. BBMP!

 

Lucas Cezar

Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória.

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