Devemos seguir apostando em treinadores estrangeiros?

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo / Divulgação)

Sim, lá vamos nós falar de treinadores estrangeiros no Brasil novamente. É uma tônica dos clubes do país apostar em comandantes de fora, isso não é nenhuma novidade. Muito pelo contrário, estrangeiros chegam com status de solução, de pensamento diferente. Contudo, a maioria acaba fracassando, por vezes até vergonhosamente.

O último caso foi Reinaldo Rueda, ex-treinador do Flamengo. No rubro-negro, o colombiano conseguiu ser vice-campeão de duas competições e classificar a equipe para a Libertadores, mas mesmo assim foi criticado por não ter sido campeão com um dos elencos mais caros do país. Rueda trocou o Fla pela Seleção Chilena, e não é o primeiro a desistir da pressão vivida por aqui para assumir uma seleção – foram os casos de Edgardo Bauza, que trocou o São Paulo pela Argentina, e Osorio, que também saiu do tricolor paulista para a Seleção Mexicana. Por incrível que pareça, a pressão de treinar um clube brasileiro é maior que a de treinar uma seleção nacional.

Por mais que técnicos estrangeiros tenham boas ideias, táticas inovadoras e ótimos trabalhos por clubes de fora, principalmente da América do Sul, nunca tivemos um com grande sucesso por aqui. Nunca um time brasileiro ganhou um título grande com treinador estrangeiro, seja título nacional ou internacional. Isso assusta e abre espaço para um raciocínio: estrangeiros não dão certo em clubes brasileiros por falta de paciência ou por falta de qualidade?

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É difícil dizer que falta qualidade, pois esses mesmos conseguiram grandes conquistas em outros locais. Mas então, por que aqui não? Talvez a cultura do futebol seja muito diferente, treinador não tem tempo de se adaptar, de pôr em pratica suas ideias. Se os resultados não são imediatos, a desconfiança começa e a pressão aumenta. Com isso, os treinadores forçam um estilo que não o deles e acabam fracassando, sendo demitidos com pouco tempo de trabalho.

Difícil ser treinador estrangeiro no Brasil né “Patón”? (Foto: Divulgação/SPFC)

Talvez, apenas talvez, se existisse mais tempo para estrangeiros trabalhar, sem que a torcida os xingue e peça sua demissão com um mês de cargo, e sem que os dirigentes o pressionem por resultados extremamente rápidos, fosse possível criar uma lista com vários treinadores estrangeiros de sucesso no Brasil.

Porém, isso é apenas uma tese, pode ser que eles fracassassem mesmo com tempo, por falta de adaptação ou qualquer outro motivo, fica no campo das ideias. O que sobra é questionar: devemos continuar apostando em treinadores estrangeiros? Mesmo sabendo que o futebol brasileiro é um triturador de técnicos de fora do país.

Twitter: @oOutroLeo

Leonardo Pereira

Estudante de jornalismo e criador de teses sem noção nos momentos vagos. Twitter: @oOutroLeo

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