CLUBE DA FÉ #111 – Bem vindo, 1918

Foto: Divulgação / São Paulo FC

Ontem, 7 de fevereiro de 1918, o São Paulo venceu o Bragantino no Morumbi por 1×0. Não, o ano de 1918 não foi escrito por engano. Quem escreve sabe que nem o São Paulo nem o Morumbi ainda existiam nessa data. Mas o futebol apresentado pelo nosso tricolor paulista está mais para o praticado no começo do século XX que o jogado nos dias atuais. Basicamente, assistir um jogo do São Paulo é hoje o melhor remédio para insônia que se pode ter.

Parte disso passa pela construção do nosso elenco. Temos na espinha dorsal da equipe Jucilei, Petros, Diego Souza e Nenê, além de um Cueva que não sabemos até onde vai sua vontade de estar ali, um zagueiro na lateral direita e um protótipo de jogador de futebol na lateral esquerda (seja Reinaldo ou Edmar, a diferença é bem pouca). Com essa junção de jogadores, não tem como o time ter velocidade na saída de bola, movimentação e deslocamentos para abrir espaços e, conseqüentemente, chance de gols, mesmo contra adversários tão fracos como Bragantino, Madureira, Novorizontino dentre outros que já enfrentamos nesse início de ano. E, acima de tudo, não há como ter uma pequena perspectiva que isso irá melhorar para quando entrarmos em fases agudas da Copa do Brasil ou no Brasileirão mesmo.

E o que mais me incomoda nisso tudo é que não estamos falando de nenhuma novidade. Nos últimos 8 anos pelo menos temos convivido com inícios de anos ruins, jogos morosos e poucos momentos de esperança e voltar a ver um time vencedor em campo. O DNA do São Paulo sempre foi um jogo ofensivo e de qualidade, se impondo aos adversários, mostrando, mesmo em fases ruins como nos períodos entre a segunda e terceira conquista de mundial, que o São Paulo era gigante dentro de campo e tinha de ser respeitado. Agora, é excesso de passes laterais, poucos dribles e quase nenhum chute a gol em 90 minutos de jogo. Segundo dados do Footstats, nosso camisa 9, Diego Souza, tem um chute a cada 56 minutos de jogo. Contra o Madureira, foram duas finalizações dele, sendo uma em cobrança de falta. E estamos falando do Madureira, uma das piores equipes desse começo de ano no poderoso campeonato carioca.

Essa equipe precisa de jogadores com drible no ataque e volantes mais ao estilo Mineiro no meio campo de forma urgente. E de verdadeiros laterais para auxiliar o apoio, não improvisações ou protótipos de jogadores de futebol.

O resumo disso é que cada vez mais está difícil da torcida se empolgar com a equipe. Já são dois anos que a arquibancada salvou o tricolor do vexame de um rebaixamento. Será que esse ano teremos novamente essa árdua missão? Viveremos mais um ano para comemorar em dezembro “Time grande não cai”?

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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