Não deixem a chatice acabar com a alegria do futebol

Foto: Marcelo Theobald

No clássico entre Flamengo e Botafogo, pela semifinal da Taça Guanabara 2018, o menino Vinícius Júnior, 17, comemorou o 3º gol rubro-negro, marcado por ele próprio, fazendo a comemoração do chororô – que se popularizou com o atacante Souza Caveirão, quando ainda vestia a camisa do Flamengo. Como resultado, além de uma revolta gigantesca dos jogadores adversários, o cartão amarelo foi mostrado ao jogador do Fla.

Não é nenhuma novidade vermos cada vez mais jogadores sendo punidos pela arbitragem por SIMPLESMENTE COMEMORAREM GOLS. Seja mais próximos da torcida, seja fazendo algum gesto que a arbitragem considere impróprio. O que acontece é que o futebol está sendo gourmetizado, elitizado e sendo transformado em um produto midiático que vai muito além da partida apenas. Se por um lado isso é bom e traz resultados positivos, por outro vai tornando a paixão nacional menos alegre.

O gesto do chororô feito por Vinícius Júnior não é ofensivo, não maltrata e nem desrespeita o time rival e seus torcedores. A provocação é sempre válida dentro do futebol. É muito mais legal vermos uma comemoração assim do que jogadores fazendo dancinhas patrocinadas, mostrando marca de empresas que pagaram por uma propaganda naquele momento. No entanto, é isso que está sendo valorizado, incentivado.

Cavani levou cartão amarelo por tirar a camisa, mesmo sendo uma homenagem à Chapecoense

Também sou contra punir o jogador que comemora seu gol arrancando a camisa. Eu, dentro de casa, faço isso ao jogar videogame, por exemplo. Marcar um gol é uma emoção grande demais, muitas vezes sequer pensamos direito no que estamos fazendo. Me recordo agora do caso do Cavani, que para homenagear a Chapecoense logo após a tragédia ocorrida em novembro de 2016, levantou sua camisa e mostrou o escudo do time catarinense que vestia por baixo do uniforme do PSG. Ainda assim, levou amarelo. Também foi amarelado ao tirar a camisa por comemorar o gol que fez com que se tornasse o artilheiro máximo do clube francês. Os próprios árbitros ficaram incomodados, mas aplicaram a regra. Ô regra chata essa, hein?

O que pensarão as gerações que agora chegam e as que chegarão em breve? Se o menino, com 17 anos, ao fazer gol em um clássico, não pode fazer uma clássica comemoração do seu time contra o clube rival, como os garotos e garotas de 5, 6 anos vão achar do futebol? A graça será perdida, a alegria será esquecida. Não deixem a chatice acabar com a alegria do futebol. É o que peço para daqui em diante!

Heider Mota

Baiano, 21 anos, estudante de jornalismo e amante dos esportes. Twitter: @heiderzito

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