O veto ao VAR é culpa da CBF

O VAR, sigla para Video Assistant Referee, não será implantado no campeonato brasileiro – pelo menos, não para agora. Em votação realizada na CBF, a maioria dos clubes da Série A do Brasileirão rejeitaram o uso da tecnologia. Algo tão inovador e que traz benefícios a todos os clubes não será implantando aqui por conta das equipes. Mas será que a culpa é mesmo das afiliadas, ou será que é da Confederação?

1 milhão de reais por clube. Esse foi o custo estipulado pela confederação brasileira para o uso do assistente nas rodadas após a Copa do Mundo, no segundo semestre. Tal custo, dividido pelo número de partidas a ser utilizado, tem valor de cerca de 50 mil. É público e notório que a maior parte dos clubes brasileiros passam por dificuldades financeiras. Só para citar alguns que votaram contra, como Vasco, Corinthians, Santos e Fluminense. O primeiro citado está sob nova direção, e essa já descobriu dívidas com o Profut e com jogadores. O Corinthians, por sua vez, tem de pagar a sua Arena, e sempre surgem notícias (verdadeiras ou não) sobre pagamentos pendentes até mesmo com empresas de telhas e marmitas. O Santos não teve, à época da contratação de Jair Ventura, 800 mil para pagar a multa rescisória do técnico com o Botafogo. O Fluminense, por sua vez, dispensou 8 jogadores, dentre eles Diego Cavalieri e Henrique, para enxugar a folha salarial; e, além disso, ainda negociou o artilheiro Henrique Dourado pelo mesmo motivo. Claro, não são só os quatro clubes que estão afogados num mar de dívidas, mas, dentre os que votaram contra, são os de maior “peso”.

 

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A culpa, então, é mesmo dos clubes? O lucro da CBF em 2015 foi de 72 milhões. Em 2016, 44 milhões. Lucro deve ser entendido como superavit: arrecadação menos gastos. Cabe aos clubes e aos mais “ofendidos” questionarem em qual local se encontra todo esse dinheiro. Em Portugal, por exemplo, o valor do VAR por jogo é de 5 mil reais. Dez vezes a menos do que no Brasil. Como tudo que nos rodeia, o preço para ter algum tipo de “conforto”, como o uso de tecnologia no futebol, é sempre calculado com valores estratosféricos. Se, seguindo os números portugueses, aqui no Brasil se pagasse 100 mil por clube (dez vezes menos que o atual), é óbvio que seria mais provável que o assistente de vídeo fosse aprovado, até mesmo por aqueles que não têm tanto dinheiro para dar para a confederação. As reclamações com a arbitragem diminuiriam muito, clubes e torcedores sentiriam-se menos prejudicados e lesados com a tecnologia ajudando a arbitrar o esporte.

Dito tudo isso, a CBF poderia, sim, bancar os 20 milhões propostos para custear o VAR. Mais uma vez, a CBF é culpada pelo atraso no futebol brasileiro. E, mais uma vez, os clubes ficarão em silêncio, sem se manifestar, colocando a responsabilidade em quem, realmente, é responsável pelo assunto. E fica, igualmente, o recado aos torcedores: precisamos pensar o futebol cada vez mais como um assunto político e ver os clubes como empresas, que não podem gastar um dinheiro “desnecessário”. Óbvio, a paixão é importante, mas o racional deve entrar em campo, também. Dona CBF, pague para o futebol brasileiro seguir a evolução mundial.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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