Quando a imbecilidade humana estraga o espetáculo

Foto: Reprodução / SporTV

A partida entre Chapecoense e Nacional-URU, pela 2ª fase prévia da Libertadores 2018, infelizmente ficou marcada por motivos que ultrapassam o que ocorreu em campo. A vitória da equipe uruguaia ficou de lado quando foi captado pelas imagens das câmeras de televisão que torcedores do Nacional faziam gestos imitando aviões, remetendo diretamente ao acidente que vitimou 71 pessoas em novembro de 2016, quando o elenco da Chape viajava à Colômbia para enfrentar o Atlético Nacional na decisão da Copa Sul-Americana.

Quando fiquei sabendo do ocorrido, parei para refletir. Por que o ser humano não cansa de ter atitudes tão estúpidas como essa? Também me lembrei que esse não foi o único caso onde torcedores utilizaram o trágico acidente para zombar, tirar sarro da Chapecoense. Em abril de 2017, por exemplo, alguns torcedores do Criciúma, no duelo contra a Chapecoense pelo campeonato estadual, entoaram o canto de “Ão ão ão, abastece o avião”.  Houve o caso da torcida do Porto, no futsal, que cantou “Quem dera, se o avião da Chapecoense fosse do Benfica”.

 

Não posso colocar certeza, mas imagino que grande parte dessas pessoas se comoveram ao saber da notícia do acidente, foram às redes sociais publicar #ForçaChape, escreveram mensagens de apoio aos familiares. Quem é fã de futebol, sem sombra de dúvidas, sentiu o impacto que foi a tragédia do dia 29 de novembro de 2016. Mas, como é de praxe, o ser humano tende a se deixar levar pela imbecilidade. Seja por um momento de raiva, como ocorreu com a torcida do Criciúma, que ouviu provocações de torcedores da Chapecoense e partiram para a apelação, ou por falta de educação, como defino o que aconteceu na Arena Condá com o torcedor do Nacional.

É triste, lamentável termos que lidar com situações como essas. O mesmo vale para os casos de racismo, de preconceito e injúrias que ocorrem tantas vezes nos estádios (e também fora deles). Já chega. Não é aceitável, muito menos justificável que pessoas sigam tomando atitudes com tamanha frieza e infelicidade. A falta de “fair play” pode ser também dita, neste caso, como uma falta de humanidade. Imitar um avião para debochar da torcida, do clube Chapecoense, é pisar em cima do sofrimento de cada um dos familiares que perderam um ente querido, dos torcedores que perderam as estrelas do seu elenco, do futebol que viu um time praticamente inteiro perder a vida.

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Atitudes sérias precisam ser tomadas com urgência. Em todos os casos citados, os clubes cujos torcedores cometeram os atos publicaram notas de repúdio e buscaram, de alguma forma, penalizar quem agiu de forma imbecil. O Nacional, por exemplo, excluiu os torcedores identificados do seu quadro de sócios pela conduta e se colocou à disposição das autoridades para proibir que os mesmos entrem nos estádios. Louvável. Pessoas assim não merecem acompanhar o futebol tão de perto, viver o clima dos estádios, que com certeza ficarão muito melhores sem eles.

Não acho que seja preciso excluir a equipe da competição. O Nacional foi uma das equipes que prestou homenagens à Chapecoense logo após o acidente e se mostrou totalmente contrário ao comportamento desses torcedores. Punir o clube e sua grande torcida, que não é feita por pessoas como aquelas, é algo injusto. Entendo que medidas duras e sérias precisam ser aplicadas, como eu mesmo já citei no parágrafo anterior, mas os verdadeiros culpados é que precisam ser punidos.

Futebol é e sempre será algo para divertir, entreter, mexer com os sentimentos dos torcedores. Espero não precisar escrever sobre temas como esse novamente já que, definitivamente, o tempo de disseminar atitudes tão porcas assim, acabou.

Heider Mota

Baiano, 21 anos, estudante de jornalismo e amante dos esportes. Twitter: @heiderzito

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