Cine HTE: Coach Carter – Treino para a vida

Hoje começamos aqui no HTE Sports uma série de artigos que contarão um pouco do que podemos aprender com os filmes que têm no esporte sua história. A sétima arte sempre nos deu histórias para refletir sobre a vida, desde os tempos de Charles Chaplin com os clássicos Tempos Modernos e O Grande Ditador, e o esporte sempre trouxe verdadeiras histórias de inspiração, o que faz essa combinação perfeita. Essa nossa nova seção não está preocupada em fazer uma crítica dos filmes em si, mas comentar as lições que podemos trazer para nossas vidas com essas histórias.
E para começar em grande estilo, vamos falar de um dos melhores e mais inspiradores filmes de esporte: Coach Carter – Treino para a vida. Nesse filme, Samuel L. Jackson vive o treinador de basquete Ken Carter, da escola secundária de Richmond. Esse filme pode ser considerado obrigatório para que trabalha com esporte de base e para quem coordena esporte em escolas, principalmente para aquelas que dão bolsas de estudo para alunos que possam disputar campeonatos escolares.
A realidade da cidade onde fica a escola não é muito diferente das que vemos Brasil afora. Juventude próxima da criminalidade, do trafego de drogas, casos de gravidez precoce são alguns dos temas abordados no filme. E aí que entra o esporte e a educação na vida dos jovens estudantes-atletas dessa escola, através do técnico Carter, que tenta mostrar para os alunos, escola, pais e comunidade que, mesmo diante dessa realidade, a vida pode ser diferente.
Essa é a tônica do filme. Vencer não é ganhar jogos. Vencer é ser o melhor que você pode ser. Vencer é se entregar e dar o seu melhor em tudo o que se faz. O contrato que o técnico Carter fez seus jogadores assinar antes do início da temporada promovia isso, não só individualmente, mas coletivamente. Esse contrato exigia que todos mantivessem médias de notas superiores ao exigido pelas regras do torneio. E Carter mostra a todo instante o quanto isso pode ser o diferencial entre entra para faculdade ou ir para prisão.
Durante a temporada, participando de um campeonato de férias, Richmond vence um título. Após a celebração, os jogadores se excedem, fugindo do hotel para ir a uma festa local. Carter, furioso, dá uma daquelas broncas no ônibus na volta para casa. Um de seus jogadores, Cruz, que foi o mais perto de entrar para o crime organizado durante o filme questiona: “Nós ganhamos o torneio. Estamos invictos. Não é o que você queria?” Realmente não era. Sucede-se ao fato dos estudantes-atletas não estarem cumprindo sua parte estudante, com notas baixas e diversas faltas nas aulas. Em decisão radical, o treinador fecha o ginásio. Dessa vez foi questionado pela própria diretora da escola, que diz: “Essa temporada será o ponto alto da vida desses garotos”. O treinador, quase que instantaneamente, responde: “Eu acho que esse é o problema. Você não?”.
Esse é o principal ensinamento que quem pratica esporte de base, seja nas várzeas, seja nos clubes, seja nas escolas deve ter. Vencer jogos não pode ser mais importante que a formação como ser humano. Vencer campeonatos não é mais importante que o sentimento de dever cumprido, de ter dado o seu melhor a cada instante, a cada segundo, seja na quadra, seja na sala de aula, nas relações pessoais e profissionais que você tem. Essa lição é a que devemos carregar ao assistir esse filme e ver essa inspiradora história esportiva. Mesmo que você já tenha visto esse filme, vale a pena ver novamente e procurar nos diálogos do treinador com seus comandados uma inspiração para seu trabalho de amanhã. Na expressão do jogador Cruz no final do filme onde relata seu medo e agradece ao treinador por tê-lo salvo de uma vida de crimes, violência e drogas para uma vida em que o esporte lhe abriu as portas da faculdade e de um futuro melhor.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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