O verdadeiro legado olímpico

Muito se fala do tal “legado olímpico” como sendo as obras realizadas no Rio de Janeiro, sobre tudo as novas praças esportivas, como as arenas onde serão disputados os jogos de vôlei, basquete, handebol, o campo de golfe, além, claro, da vila olímpica. Mas o verdadeiro legado olímpico não pode se resumir apenas as estruturas físicas construídas para a competição. É preciso que as boas iniciativas em determinadas modalidades sejam continuadas e ampliadas.

E duas modalidades que estão fora da grande mídia deram o primeiro passo nesse sentido: O Polo Aquático e o Handebol. Nas duas modalidades, sabendo que falta muito para o Brasil virar uma potência, as confederações investiram nos melhores do mundo para colocar atletas e seleções entre as principais do mundo. Nas piscinas, logo após os Jogos de Londres/2012 foi contratado o croata Ratko Rudic para a seleção masculina. Nas quadras, o dinamarquês Morten Soubak comanda as meninas num trabalho excepcional, que já resulto no título mundial de 2013, disputado na Sérvia.

Morten Soubak, treinador da seleção feminina de handebol

Colocar estrangeiros no comando das seleções não é novidade em outras modalidades. Ruben Magnano, argentino, já está há 8 anos com a seleção masculina de basquete. A ginástica olímpica têm também um estrangeiro no comando há bons anos na comissão técnica. Mas, esses esportes não pararam por aí. No pólo aquático, quando possível pelas regras internacionais, também foram naturalizados jogadores, além de trabalho com o principal nome brasileiro da modalidade, o carioca Felipe Perrone, eleito melhor jogador da última edição Champions League europeia. No handebol, também há bons anos que as jogadoras da seleção estão disputando os fortíssimos campeonatos europeus.

Felipe Perrone é um dos principais nomes do Polo Aquático brasileiro

Mas não basta o trabalho ficar aí. É preciso fomentar esses esportes no Brasil afora. Para o handebol, a situação é um pouco mais simples que para o polo aquático, uma vez que é mais fácil colocar quadras que piscinas nas escolas para a prática da modalidade. Mas, como falei na introdução, não podemos achar que somente as estruturas físicas farão o trabalho. Soubak por diversas vezes reclamou da confederação brasileira de handebol sobre a condução do esporte no país. Não adianta nada termos uma geração vencedora, os melhores treinadores do mundo se não houver investimento maciço na divulgação das modalidades.

Um dos grandes exemplos desse trabalho é a China, que nas Olimpíadas de 1996 ficava na 4ª posição geral de medalhas para 16 anos depois chegar à segunda posição, atrás apenas dos EUA, consolidando-se como segunda maior nação olímpica. Em 2012, foram 88 medalhas, sendo 38 douradas, 27 de prata e 23 de bronze. O trabalho consistia em colocar todas as modalidades olímpicas em evidência no território chinês, disponibilizando quadras, piscinas, campos para a prática da população e  investimento em conhecimento científico de como atingir a perfeição em cada modalidade.

Tendo isso em vista, não basta apenas termos uma geração de sucesso, que chegue a medalha olímpica ou conquistas mundiais para podermos dizer que temos um verdadeiro legado olímpico. O voleibol é uma grande prova do trabalho de longo prazo, iniciado lá nos anos 80 e que coloca agora, tanto o masculino como feminino, sempre como um dos principais candidatos as maiores conquistas da modalidade. Polo Aquático e Handebol precisam continuar nessa pegada, colocar as modalidades entre as exigidas pelo MEC nas aulas de educação física das escolas, investirem nos clubes que tem condições de sustentar as modalidades de acordo com suas estruturas e trazer cada vez mais estrangeiros que possam nos ensinar a como trabalhar essas modalidades. É dessa maneira que o legado esportivo terá real significado para os brasileiros, pois a prática esportiva é um dos grandes caminhos para uma educação social de alto nível.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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