MLB – O que perde a MLB com a morte de Jose Fernandez?

A dúvida continua me perseguindo enquanto escrevo este texto. Não consegui simplesmente me limitar a reportar a morte do arremessador do Miami Marlins Jose Fernandez, que teve sua morte confirmada nas primeiras horas do dia, vítima de um acidente de barco. O que perde a Major League Baseball com esse desastre? A pergunta pode soar insensível para alguns, mas o que me fez questionar isso é justamente o contrário.

Fernandez foi mais um imigrante cubano que chegou aos Estados Unidos com a família, buscando o sonho de ter uma melhor perspectiva para o futuro. Seu grande sonho, desde criança, era ser jogador profissional de baseball na MLB. E esse grande sonho quase foi destruído ainda na viagem, onde em uma das 3 tentativas para chegar na América, sua mãe caiu no mar na travessia de Cuba para Flórida. Fernandez se atirou ao mar para resgatá-la, mesmo que não soubesse que a pessoa que estava se afogando era sua mãe.

Chegando na América, Fernandez fez de tudo para conseguir realizar o seu sonho. Além de praticar o esporte, o garoto se esforçava para aprender o inglês, tentando se adaptar o mais rápido possível a sua nova realidade. Em 2011, foi escolhido pelo Florida Marlins (que depois se tornou o Miami Marlins) na primeira rodada do draft da MLB e 2 anos depois, estreou na MLB, depois de passagem pelas ligas menores.

Seus números impressionam. Desde que começaram a ser colhidas estatísticas do esporte (1913), Fernandez foi o arremessador com menor ERA em jogos em casa (média de corridas limpas cedidas por um arremessador por nove entradas arremessadas) da história da MLB, considerando-se os arremessadores com pelo menos 40 partidas arremessadas.

Outro número que impressiona é o percentual de strikeouts de Fernandez. Dentre os jogadores com no mínimo 50 partidas arremessadas, ele tinha o maior percentual de eliminações por strikeouts da história da MLB, com 31.2%, a frente de lendas como Yu Darvish, Stephen Strasburg e Randy Johnson. Apenas Dwight Gooden, Tim Lincecum e Roger Clemens tinham mais strikeouts em números absolutos do que Fernandez, no comparativo de desempenhos desses arremessadores quando tinham 24 anos de idade.

O carinho que a cidade tinha com o cubano também era notável em números, já que a média de público em jogos em que Jose Fernandez era escalado era 1,127 pessoas a mais do que os outros arremessadores da equipe. Infelizmente, o fenômeno de 24 anos não poderá mais fazer o que mais gostava: arremessar bolas de baseball.

A MLB perde um dos seus principais arremessadores e talvez um futuro Hall da Fama do esporte. Os Marlins perdem um grande jogador, que amava a franquia e amava o jogo. Mas a maior perda fica para a sua família, amigos e fãs, que perdem um grande exemplo de perseverança, paixão e gana pelo jogo.

  • Michel Dos Reis

    Baita texto!!

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