O Brasil parou de formar grandes camisas 9?

Texto: André Luís de Freitas

Um dia o Brasil teve grandes nomes do futebol mundial vestindo a camisa 9 (ou exercendo a função da mesma) e hoje sofre com a falta deles. O que aconteceu para que chegássemos a este ponto?

O tema a ser pautado hoje não diz respeito àquele jogador que sai da área, ajuda na marcação e se necessário pouco entra na pequena área, mas sim, daquele cara com presença no campo adversário, que precisa de poucos toques na bola para chegar ao gol.

Voltando ao passado não muito distante e chegando à década de 90, olhamos para os elencos de grandes clubes do país e encontramos vários centroavantes típicos e goleadores que faziam uso da camisa, alguns deles não usavam essa numeração, mas dentro de campo exerciam tal função. Ao lembrarmos do título “camisa 9” alguns nomes logo vêm a mente, como por exemplo, Romário, Ronaldo, Evair, Careca, dentre outros.

No início dos anos 2000 o Brasil ainda contava com estes jogadores. Um dos maiores exemplos é Washington, o “coração valente”, ex-Atlético-PR. Washington era um centroavante típico: grandalhão, usava o corpo para escapar da marcação, se ajeitar e logo chutava a gol. Romário ainda aparecia, embora já estivesse com idade avançada, e balançava as redes adversárias a cada partida, enquanto Ronaldo, outro de nossos exemplos do parágrafo anterior, também despontava como um dos grandes camisas 9 do futebol mundial. O Fenômeno usava sua velocidade, arrancada e forte explosão física para chegar ao gol dos adversários. Foi assim que ele se tornou o artilheiro da Copa do Mundo de 2002.

Hoje em dia, mais precisamente no ano de 2017, podemos contar nos dedos grandes centroavantes que atuam no país. Todos com algo em comum: estão acima dos 30 anos e outros nem brasileiros são: Fred, Luís Fabiano, Ricardo Oliveira e Grafite são exemplos de atletas com idade avançada. Lucas Pratto é um exemplo de artilheiro que atua no país, mas que não é brasileiro. André, Kieza, Jô, ou por exemplo, Hernane Brocador, são jogadores que fazem gols, mas que nem sempre vivem grande fase. Fora do país temos Jonas e Alexandre Pato, mas que estão longe de solucionarem o problema vivido no Brasil. Posso até ter esquecido de algum ou outro centroavante, que veste ou faz função da camisa 9, mas estes já servem como exemplo.

Mais recentemente o Brasil revelou dois jogadores que logo saíram do país. O primeiro deles é Gabriel Barbosa, o Gabigol. Gabigol surgiu no Santos e muitos o apontavam como o novo 9 da seleção brasileira, mas até hoje não encontrou o caminho das redes atuando pela Inter de Milão. O outro atleta tem sido o oposto de Gabriel Barbosa; Gabriel Jesus foi ao lado de Aguero, o “homem gol” do Manchester City nos últimos jogos e é hoje, a maior esperança de gols da seleção.

Agora, qual o maior problema que tem trazido a escassez de típicos camisas 9 do país?

Alguns culpam as táticas utilizadas pelos grandes times do mundo, muitos deles praticamente extinguiram o “típico 9” e passaram a utilizar o “falso 9”. A própria seleção brasileira chegou a usar o esquema tático há alguns anos, quando em 2011 Mano Menezes esboçou uma escalação sem centroavante e utilizou Neymar atuando na função. Outras pessoas culpam a atual “safra” de jogadores brasileiros, afirmando que não é boa. Mas sabemos que não é verdade.

O futebol brasileiro sempre teve o privilégio de ano após ano revelar grandes craques e goleadores para o mundo e hoje não é diferente. Temos muitos jovens jogadores com potencial, até mesmo nas categorias de base, mas que precisam ser lapidados. Precisam ser bem treinados, Novos métodos de treino devem ser aplicados, até porque sabemos que o futebol evolui, assim como qualquer outro esporte. Então os treinos também devem mudar. Tudo na vida um dia precisa alterado, sair da mesma coisa de sempre (entenda-se, a mesma maneira de sempre treinar) e tentar algo novo. Usar o potencial técnico que o brasileiro já nasce com ele e aprimorar na parte tática. Talentos no Brasil não faltam, mas precisam ser encontrados e lapidados.

Agora fica a pergunta: Para voltarmos a produzir novos camisas 9 tradicionais, goleadores, algo será mudado? Nossos cartolas saberão um dia reconhecer que precisamos evoluir, desde a parte tática quanto física? Haverá humildade dentro da nossa Confederação Brasileira de Futebol para mudar algo? Isso, somente o tempo irá dizer.

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