Precisamos falar sobre preconceito no futebol (mais uma vez)

Como o próprio título desta matéria já diz, mais uma vez, precisamos trazer à tona esse assunto tão polêmico em nosso país. Lutamos tanto pela igualdade de direitos em décadas passadas, mas em pleno século XXI ainda vemos casos de preconceito no esporte mais praticado por homens e mulheres no Brasil.

Esse grito que vêm tomando as torcidas na maioria dos estados brasileiros quando é efetuado um tiro de meta de um goleiro de futebol, têm sido muito criticado por torcedores que vão aos estádios somente para apoiar o seu time de coração. À primeira vista, não parecendo um grito homofóbico por quem pratica, muitos que estão ali, ainda que escondidos, se sentem oprimidos e ofendidos por um ato tão fácil de ser resolvido, mas que na maioria das vezes é ignorado por quem não pensa nada sobre o assunto.

Mas, e se ao invés de gritarem “bicha” gritassem “macaco”? será que a sociedade veria com os mesmos olhos? Não querendo dizer quem está certo ou quem está errado, mas, se fosse o segundo, seria muito mais ofensivo, por se tratar de algo cultural em nosso país, onde a própria mídia e sociedade tratam de forma diferente esses dois tipos de caso. Fatos como esse, que acontecem em muitas situações, acabam afastando àqueles que frequentavam os estádios e deixaram de ir por se tratar de um lugar sujo, onde o preconceito é taxado como brincadeira.

Olhando pelo lado familiar, qual é a mensagem que os pais estão passando para seus filhos quando acontecem casos como esse? Será que o prazer próprio e a diversão é maior do que o respeito que você tem pelo próximo? A criança é o espelho do que se vê no pai. Logo, logo essa criança quando crescer, terá o mesmo pensamento que seu pai tinha quando frequentava o estádio de futebol, vendo que ali é um lugar apenas para se divertir e esquecer que existem pessoas e que o respeito deve aflorar independente da situação.

Levando para o lado técnico, o que o resultado de uma partida iria influenciar num tiro de meta cobrado pelo goleiro? Isso que na maioria das vezes me pergunto. Se tivesse mesmo que acontecer, que fosse num lance de ataque do time adversário, em que o seu time estivesse prestes a sofrer um gol e, de alguma forma, você quisesse “atrapalhar” o jogador adversário. Mas num tiro de meta?

É por essas e outras que o futebol têm sido banalizado por quem assiste tanto de casa, quanto no estádio, deixando de ser uma diversão nos fins de semana, se tornando um lugar onde você e sua família não querem estar, com medo de serem violentados ou mesmo sofrendo algum tipo de preconceito. Paz nos estádios, paz no futebol!

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago á tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada tipo de situação.

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