Igualdade nas seleções de futebol é a Noruega, campeã de IDH, dando uma aula ao mundo

Por: Lucas Tinôco (Twitter: @lucastinocof)

Quem me conhece sabe o quão doente pelos países escandinavos eu sou, quase ninguém sabe como isso ganhou força (a paixão era desde garoto). Vou contar, pode parecer besta para a maioria, mas pra mim, que sonha com um mundo em paz, com pessoas satisfeitas, bem educadas, saudáveis, foi muito importante. Em 2013 li uma matéria em algum grande portal que trazia a realidade carcerária da Suécia. Para não prolongar, o texto tinha como ponto auge a informação de que a falta de detentos era tão grande que quatro cadeias foram fechadas. E tudo isso tinha começado pelo menos 10 anos antes.

Pois bem, a cada ano essa paixão aumenta ao conhecer e ler sobre a região, e esta semana no foi diferente. Saiu na mídia a notícia de que a Federação Norueguesa de Futebol havia igualado os salários das seleções masculina e feminina. Logo surgiu a dúvida: aumentaram a da feminina ou abaixaram a da masculina? Fosse no Brasil eu iria na segunda opção, mas a Noruega não desapontou. A folha salarial das mulheres era de R$ 1,2 milhão, enquanto a dos homens era R$ 2,6 milhões. Agora, ambas serão de R$ 2,4 milhões, ou seja, a seleção feminina receberá o dobro enquanto a masculina aceitou uma redução de R$ 220 mil.

A notícia recebeu aplausos do mundo e o norueguês, no auge da sua alegria de ver o outro satisfeito, foi representado por Stefan Johansen, meia da seleção e do Fulham, da Inglaterra. O jogador, com toda simplicidade, mostrou a felicidade pelo acordo. “Com relação às mulheres, nós nos sentimos privilegiados desde o início, e não foi difícil dizer sim. Nós não jogamos na seleção por dinheiro”, afirmou.

Nas Eliminatórias para a Copa de 2018, os homens foram medianos e acabaram em 4º no grupo, atrás de Alemanha, Irlanda do Norte e República Tcheca. Ainda assim, se despediram com goleada por 8 a 0 sobre San Marino e 1 a 0 sobre os norte irlandeses, que conseguiram vaga na repescagem.

Aplausos. A Federação Norueguesa de Futebol merece aplausos.

Já as ladies lideram seu grupo nas Eliminatórias para a Copa do Mundo feminina de 2019, que será a França. Nos dois jogos iniciais, venceram Irlanda do Norte e Eslováquia. Compõem o grupo também as seleções da Holanda e Irlanda.

Essa vitória do futebol norueguês é mais um dos “tapas com luva de pelica” que o país dá no restante do mundo. Atual líder do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) com 0,949 pontos. Lá existe um consenso sobre o pagamento de impostos, o valor é justo e a população tem educação e saúde gratuitas e não existe desigualdade extrema como no Brasil, onde os ricos são poucos e os pobres são muitos.

Na Noruega, todo mundo sabe o que todo mundo ganha desde o início do século XXI. A Noruega é país mais bem informado do mundo, com 280 jornais para 5 milhões de pessoas, tendo o índice mais elevado. Em 30 anos, o norueguês diminuiu as horas de trabalho em 270 horas, ganham mais de 10 dias de férias por ano e boa parte dos trabalhadores conseguem trabalhar apenas quatro dias por semana. Lá a taxa de desemprego é de 4%.

Na Noruega, se um casal quiser ter filhos, não precisa se preocupar com questões financeiras. As mulheres não se preocupam com a possibilidade de serem demitidas. Lá as mamães de recém-nascidos podem optar por 11 meses de licença a maternidade, salário integralmente pago pelo governo e volta ao trabalho garantida. Caso queira OPTAR (olha que impensável) por 13 meses, receberá 80% do salário. Ainda assim, o governo arca com subsídios caso a mãe queria ficar além deste tempo com as crianças.

A aula que a Noruega e demais países escandinavos (Dinamarca, Islândia, Finlândia e Suécia) é imensa. A realidade deles é pura utopia pro Brasil, principalmente, mas também para outras potências econômicas mundial.

A esperança é de que um dia um mundo ainda seja parecido com a Noruega, onde jogar pela seleção é apenas a felicidade de representar o país e as causas sociais são maiores que tudo.

Lucas Tinoco

21 anos, baiano e aspirante a jornalista esportivo. Fanático por esportes em geral, principalmente futebol. Adepto das ligas europeias e do futebol alternativo. Líder do Editorial de Futebol Internacional do HTE Sports.

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