Reconto HTE #09 – 30 anos do tricampeonato mundial de Fórmula 1 de Nelson Piquet

(Foto: Divulgação / Fórmula 1)

2017 acaba por ser um ano antagônico para o Brasil e a Fórmula 1. Ao término da atual temporada, já sabemos que, para o ano seguinte, não teremos nenhum representante do país no grid de largada da maior categoria dos esportes a motor. Isso se contrasta com uma grande lembrança para os brasileiros: os 30 anos do tricampeonato de Nelson Piquet.

LEIA TAMBÉM: Qual o futuro da F1 no Brasil?

DIFERENCIAL

Regularidade. Essa foi a palavra-chave para que Nelson Piquet conquistasse o título da temporada 1987 da Fórmula 1. Ele não foi o piloto que mais venceu provas naquele ano. Foram apenas três triunfos em 16 GPs disputados. Nigel Mansell, principal rival no certame, venceu o dobro de corridas. No entanto, o que fez a diferença para o brasileiro foram as idas ao pódio. Foram 11 vezes de Piquet contra 7 de Mansell.

DESEMPENHO

O sistema de pontuação na temporada era o seguinte: 1º lugar (9 pontos), 2º (6 pontos), 3º (4 pontos), 4º (3 pontos), 5º (2 pontos) e 6º (1 ponto). Vale relembrar que existia uma regra onde apenas os 11 melhores resultados dos pilotos eram contabilizados, com isso, o 4º lugar de Nelson no GP de Portugal não entrou na pontuação final. Piquet venceu três corridas – GP da Alemanha, GP da Hungria e GP da Itália. Ficou na segunda colocação em sete oportunidades – GP do Brasil, GP de Monaco, GP dos Estados Unidos, GP da Grã Bretanha, GP da Áustria e GP do México. Além disso, conquistou um 3º lugar no GP de Portugal. Apenas nos GPs de San Marino, Japão e Austrália, o brasileiro não teve pontuação. Ao todo foram 73 pontos, 12 a mais que Mansell.

ACIDENTE E VOLTA POR CIMA

Durante o segundo final de semana da temporada, no GP de San Marino, Piquet acabou sofrendo um grave acidente. Após o pneu da sua Williams FW11 furar, o brasileiro, até então bicampeão do mundo, bateu forte no muro na entrada da temida curva Tamburello – local onde Ayrton Senna seria vítima fatal em 1994. As consequências foram grandes: traumatismo craniano, lesões no tórax, nas pernas e no pé esquerdo. Obviamente, não disputou a corrida em Ímola. Na corrida seguinte, na Bélgica, não conseguiu completar a prova. A recuperação veio nas corridas seguintes – foram nove podios seguidos, marca importante para a consolidação do tricampeonato.

OS TRIUNFOS

Apesar do título e da regularidade, Nelson Piquet venceu apenas três corridas. A primeira delas foi em Hockenheimring, no GP de Alemanha. Naquela que foi a oitava prova na temporada, Piquet largou atrás de Mansell, mas contou com um problema no motor do rival e conquistou o primeiro triunfo. Naquela corrida o brasileiro assumiu a liderança do Mundial de Pilotos. Na corrida seguinte, outra vitória. O GP da Hungria, em Hungaroring, quase repetiu o filme da corrida anterior. Mansell largou na frente, mas teve problemas e não completou. Piquet venceu pela segunda vez. A última vitória de Nelson Piquet na temporada 87 veio no GP da Itália. No Circuito de Monza, o brasileiro liderou de ponta a ponta e, a essa altura da competição, já estava com 63 pontos, enquanto Senna tinha 49 e Mansell 43.

A CONFIRMAÇÃO DO TÍTULO

30 de outubro de 1987 é uma data histórica para a Fórmula 1, para os brasileiros e, claro, para Nelson Piquet. No GP do Japão veio a confirmação do tricampeonato mundial. Piquet entrava no “Hall dos Tri”, ao lado de Jackie Stewart, Jack Brabham e Niki Lauda. Em Suzuka, Piquet largou em 5º. Como Mansell sofreu um acidente no primeiro treino classificatório e não participou da corrida, nada mais tirava o título do brasileiro.

Confira abaixo uma matéria da extinta Rede Manchete que fez um resumão do tricampeonato conquistado por Nelson Piquet:

 

Em uma época onde as relações entre Brasil e Fórmula 1 estão cada vez mais enfraquecidas – seja na ausência de pilotos no grid de largada em 2018 ou até mesmo na cobertura da mídia que diminui a cada ano, relembrar uma importante conquista, que completa 30 anos em 2017, é de fundamental importância para manter as memórias de um passado glorioso.

Heider Mota

Baiano, 21 anos, estudante de jornalismo e amante dos esportes.

Twitter: @heiderzito

%d blogueiros gostam disto: