Os dilemas das categorias de base

(Foto: Agência Corinthians)

Em período de Copa São Paulo de Futebol Junior, a famosa Copinha, e somado às férias dos profissionais, as categorias de base tornam-se destaque no futebol brasileiro, sendo o centro das discussões futebolísticas no Brasil no início de janeiro. E com isso, criam-se os “dilemas da base”, como a importância de ganhar títulos ligada ao número de jogadores revelados e as teses sobre a padronização do estilo de jogar da base em relação ao time profissional, dentre outras.

O primeiro tópico, e talvez o mais discutido no país, é a padronização da base em relação aos profissionais. Pegando como argumento a maneira como os clubes e países europeus tratam a base, apenas como um ensinamento da maneira como o time de cima joga. E o que seria essa padronização no Brasil? Sendo que os próprios times profissionais não mantem uma forma tática padrão durante mais de 6 meses e dificilmente apostam na continuidade de treinadores com ideais próprios. Sim, é muito pedir que sejamos iguais os europeus e tenhamos uma base realmente criada apenas como aprendizado, não padronizamos nem os estilos do time profissional, quiçá da gurizada.

A Copa SP é umas maiores competições de juniores do país (Foto: Divulgação)

O segundo é um que permeia as discussões de bares, categorias de base devem servir apenas para revelar jogadores ou é obrigação da gurizada ser vencedora desde as fases iniciais? Claro, o mais importante é revelar atletas que cheguem qualificados e preparados para assimilar a pressão e vencer no profissional, contudo, títulos fazem parte da formação desses jogadores. Dificilmente você verá uma boa safra de atletas que não conseguiu vencer nada, pelo contrário, normalmente quando existem jogadores de qualidade juntos os títulos tendem a aparecer naturalmente.

Pegando gancho do tópico passado, a pressão para ganhar títulos é o último dos principais dilemas da base. E aí é um dos pecados do futebol brasileiro, para analisar trabalhos de base não deve ser analisado apenas títulos, e sim a maneira como os jogadores chegam ao nível profissional. Pressionar um jovem de 16, 17, 18 anos é complicado, pode acabar com a moral, pode ser demais para alguém de tão pouca idade. Como já foi dito antes, os títulos devem vir naturalmente, e não serem obrigações desde o início.

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Esses são apenas alguns dos temas mais abordados e discutidos sobre as categorias de base aqui no Brasil. E é sempre difícil encontrar uma unanimidade, por isso é tão difícil criar uma formula de sucesso para a base no país. A solução não é copiar a Europa, e sim encontrar a formula que melhor se adeque ao nosso cenário. Cabe aos dirigentes, treinadores e jogadores encontrar a solução para esses problemas, mesmo assim ainda somos um dos países que mais revelam jogadores de qualidade todo ano.

Twitter: @oOutroLeo

Leonardo Pereira

Estudante de jornalismo e criador de teses sem noção nos momentos vagos. Twitter: @oOutroLeo

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